Bolsonaro Fezes Tile

A intolerância política ganhou mais um capítulo lamentável no Espírito Santo. Desta vez, o palco foi a Praia do Canto, um dos bairros mais tradicionais e valorizados de Vitória, onde a chamada “Casa de Bolsonaro” virou alvo de uma manifestação que ultrapassa qualquer debate civilizado.

Imagens de videomonitoramento registraram uma mulher utilizando fezes de cachorro para pichar a fachada do imóvel, deformando o desenho do ex-presidente Jair Bolsonaro estampado na parede. O episódio rapidamente ganhou repercussão nas redes sociais e provocou indignação entre apoiadores da direita capixaba.

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Idealizada pelo vereador Armandinho Fontoura (PL), a Casa de Bolsonaro surgiu como um espaço para difusão das pautas conservadoras no Espírito Santo e como ponto de mobilização política da direita no Estado.

Caso gera repercussão política

Segundo relatos, a autora teria agido em duas oportunidades distintas. Ainda de acordo com o parlamentar, o marido da mulher também teria feito ameaças veladas. O caso agora extrapola o mero vandalismo e passa a tocar em um ponto delicado: até onde o ódio político pode avançar antes de se transformar em algo ainda mais grave?

Discordar faz parte da democracia. Aliás, é justamente o conflito de ideias que sustenta uma sociedade livre. O que não encontra abrigo no Estado Democrático de Direito é a substituição do argumento pelo ataque, da crítica pelo vandalismo e do debate pelo impulso primitivo.

Há uma diferença abissal entre contestar um adversário político e usar fezes como instrumento de militância. Quando a política abandona as ideias e passa a ser praticada com excrementos, o que está sendo exposto não é coragem, tampouco consciência cívica. É apenas degradação do debate público.

Limites da liberdade de expressão

A liberdade de expressão constitui um dos pilares da democracia. Contudo, ela não pode servir de biombo para atos de depredação ou intimidação. Quem não concorda com Bolsonaro, com Lula, ou com qualquer outro líder político, possui à disposição instrumentos legítimos e civilizados para manifestar sua posição: o voto, a palavra, os protestos pacíficos e a participação política.

Transformar fezes em discurso político não fortalece a democracia. Ao contrário, empobrece-a.

O episódio deve servir de reflexão para todos os espectros ideológicos. Hoje, a vítima é um espaço identificado com a direita. Amanhã, poderá ser qualquer outro grupo, partido ou cidadão que pense diferente.

Uma democracia madura não se constrói com gritos, ameaças ou excrementos espalhados pelas paredes. Constrói-se com argumentos, respeito e, sobretudo, tolerância. Porque quando a política desce ao nível da sarjeta, toda a sociedade acaba caminhando na mesma direção.