O 15º Plano Quinquenal Chinês

Artigo analisa as metas do 15º Plano Quinquenal da China e os possíveis impactos para o agronegócio brasileiro nos próximos anos

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Imagem ilustrada e gerada por IA. -

Todo senador, deputado e vereador, além dos governantes, deveria ler o 15º Plano Quinquenal (2026-2030) para o Desenvolvimento Econômico e Social da China. E estudar e aprender como se pensa e se constrói uma nação, sem patriotismos inúteis.

Em especial, o capítulo 25, que trata do aumento da produção, da qualidade e do desempenho geral da agricultura, cujo sucesso representará uma grande perda para os produtores brasileiros, pois, hoje, o mercado chinês é o destino de 71% das exportações nacionais de soja e 54% da carne bovina. Isso representa uma dependência deles de mais de 60% de toda a soja importada e cerca de 40% de sua carne, algo inadmissível para a estratégia chinesa.

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Logo na Seção 1, Garantia de Abastecimento de Grãos, procuram implementar uma estratégia para armazenar mais grãos e aumentar a produção de grãos em 50 milhões de toneladas. E esforços serão feitos para melhorar a produtividade por hectare.

Isso seguindo um sistema tripartite: quantidade, qualidade e ecologia das terras cultiváveis. Prepararão melhor as terras cultiváveis, atuando no sistema de drenagem e irrigação, protegendo o solo negro e manejando solos acidificados e solos salino-alcalinos. Investirão mais na prevenção e mitigação de desastres (o contrário do que acontece no Brasil). E refarão o zoneamento dos recursos agrícolas.

Na Seção 2, tratam de mais apoio à ciência e tecnologia na agricultura. Visam uma agricultura mais orientada pela tecnologia, ecológica, focada na qualidade e na modernização. E planejam revitalizar a indústria de sementes, fortalecendo o uso de recursos genéticos, a melhoria do sistema comercial e o desenvolvimento de novas variedades com alto rendimento e ampla adaptabilidade, elevando a segurança das fontes de sementes.

Ainda buscarão desenvolver máquinas e equipamentos agrícolas para aumentar a eficiência agrícola, elevando a taxa de mecanização do plantio à colheita para mais de 80% da área agrícola. Também esperam avanços na conservação da água usada na agricultura. Incentivarão empresas líderes em ciência e tecnologia agrícola, combinando funções de interesse público e comerciais.

A Seção 3 trata da construção de um sistema diversificado de abastecimento de alimentos. Isso significa ampliar não somente a agricultura, mas também a silvicultura, a pecuária, a aquicultura, a pesca e a suinocultura. Apostam em melhorias das indústrias de bovinos de corte, ovinos e gado leiteiro. Ainda, no desenvolvimento da indústria de forragem e silagem.

E mais: o cultivo em instalações energeticamente eficientes, mecanizadas e de alta eficiência, além da criação intensiva de aves e gado. Desenvolverão recursos alimentares de rios, lagos, mares e florestas. E a biotecnologia sintética será desenvolvida para explorar novas fontes de proteína.

Sigo o crescimento chinês desde 1989. Creio que não haja ninguém que afirme que os 14 planos anteriores falharam. Então, por que não seguimos esse exemplo? Buscar aumento da produção com respeito à ecologia e também o crescimento da renda, utilizando o progresso científico e tecnológico.

Mario Eugenio Saturno (fb.com/Mario.Eugenio.Saturno) é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), pós-graduando em Patrística pela UniÍtalo e congregado mariano.