Padre Zezinho tem 60 anos de sacerdócio, mas ainda não aprendeu a lidar com o contraditório

Padre Zezinho afirma ter sido alvo de ataques de católicos tradicionalistas após compartilhar textos sobre extremismo religioso e ideologia da Teologia da Libertação

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Imagem ilustrada e gerada por IA. -

Reportagens recentes mencionaram que Padre Zezinho vem sendo vítima de ataques virtuais de “católicos tradicionalistas”. Segundo o alegado, as ofensas ocorreram pelo fato de o sacerdote ter compartilhado o texto de um professor universitário. No artigo, o acadêmico expunha a preocupação com a “escalada delirante de extremistas católicos nas redes digitais”, situando estes como membros da “direita católica”.

Além disso, o sacerdote alegou ter sido alvo de vídeos falsos que o associavam ao comunismo. Ora, mas o mesmo já declarou em entrevistas que suas músicas têm a temática da Teologia da Libertação. A própria Santa Sé já se pronunciou sobre o alinhamento ideológico dessa corrente teológica com o marxismo.

Soa, no mínimo, estranho um sacerdote da Teologia da Libertação sentir-se ofendido por ter sua já conhecida ideologia exposta.

Porém, Padre Zezinho, embora seu pseudônimo esteja no diminutivo, não se trata de um marinheiro de primeira viagem, mas de um sacerdote gabaritado tanto na Teologia, quanto na música popular católica. Possui 60 anos de experiência como ministro ordenado, agindo “in persona Christi”.

Causa estranheza que um sacerdote tão experiente não saiba lidar com as reações aos seus textos provocativos e com clara intenção de atingir uma parcela do segmento católico brasileiro. Se o grupo tradicionalista representa somente 2%, por que Padre Zezinho se incomoda a tal ponto de dedicar textos incisivos contra este pequeno coletivo?

Em uma breve pesquisa na página do Padre Zezinho, que acumula mais de 1 milhão de seguidores no Facebook, sobre os tais “extremistas católicos”, verifica-se uma defesa do Bispo Dom Ionilton, que foi criticado por negar a Adoração a Jesus Eucarístico e reduzir seu corpo transubstanciado nas espécies sagradas à única função de “comer e beber”. De Senhor de todas as coisas, na visão do referido prelado de Marajó, Cristo seria

apenas um “comestível”. Uma evidente blasfêmia contra o Sagrado e uma ofensa à fé de inúmeros devotos.

Em outro texto, ao se referir aos católicos tradicionalistas, Padre Zezinho afirmou que eles “[…] fazem de tudo para recuperar o passado, pensando que isto é defesa da tradição. Ora, o próprio Jesus criticou os conservadores fariseus por seu apego a Tradições erradas e ultrapassadas”. O sacerdote se esqueceu de mencionar que Nosso Senhor não criticou a tradição fundamentada na Palavra de Deus, pois esta foi plenamente cumprida por ele, culminando na morte de cruz, mas sim, a hipocrisia farisaica de se coar um mosquito e engolir um camelo, algo muito praticado pelos discípulos da Teologia da Libertação, que instrumentalizam pequenas aflições desse mundo com o objetivo de se implantar um projeto de poder político falsamente libertador, além de anticristão em sua essência.

Além disso, em outra publicação, Padre Zezinho, ao se referir aos críticos da Teologia da Libertação, se utilizou das seguintes expressões: “Sigo o exemplo dos que não desistiram de dialogar com todos, exceto com quem entra para me detonar com palavras de baixo calão. Alguns deles comungam diariamente e se anunciam convertidos!”; “Só corre o risco fatal e irreversível aquele que insistir em ser canalha, mau e maldoso!”. Causa espanto tamanha contradição do sacerdote dentro de um mesmo texto de sua autoria. Paradoxalmente, fecha-se ao diálogo com quem desfere xingamentos, mas o próprio se vale destes quando quer expressar suas indignações pessoais.

Ainda sobre os católicos conservadores, Padre Zezinho fez as seguintes acusações: “Hoje vejo ternos alinhados, cabelos escovados e cortados, sapatos lindos, véus na cabeça, vestidos lindos, batinas vindas do tintureiro, mas também vejo pouco conhecimento do CVII, do CIC, do DSI, das encíclicas sociais, e uma claríssima tendência de apoiar a direita e o PL enquanto, sem piedade, caluniam qualquer ramo da TL”. Ele afirmou que homens vestidos com elegância e mulheres que usam véus na cabeça atacam impiedosamente a Teologia da Libertação, enquanto manifestam ignorância quanto aos documentos do Concílio Vaticano II, do Catecismo, da Doutrina Social da Igreja e das Cartas Papais.

Um ponto de merecida observação é o nível de arrogância e soberba própria de alguns teólogos da libertação, que se consideram os únicos intérpretes do Magistério da Igreja. Os mesmos que outrora criticaram o clericalismo, agora o praticam, culminando em censuras prévias contra simples fiéis leigos que possuem o direito de estudar a Fé e agir conforme a própria consciência.

A Teologia da Libertação, assim como seu aliado comunismo, possui a mesma pretensão: manipular a consciência da grande massa, prendê-la em uma senzala ideológica, e quem se atrever a olhar a luz de fora da caverna de Platão, será trucidado na moderna Inquisição tacitamente montada pelos paladinos da misericórdia seletiva.