
A Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados aprovou uma proposta que reconhece as profissões de vigilante e agente de segurança privada como atividades de risco. Com isso, o texto abre caminho para que esses profissionais adquiram equipamentos de proteção e tenham autorização para porte pessoal de arma de fogo, inclusive fora do horário de serviço.
Além disso, o colegiado aprovou um substitutivo ao Projeto de Lei 2480/25, de autoria da deputada Rosângela Reis (PL-MG). O relator, deputado Delegado Paulo Bilynskyj (PL-SP), defendeu a medida. Segundo ele, o reconhecimento não representa privilégio, mas sim uma adequação à realidade enfrentada pela categoria.
“Reconhecer formalmente essa atividade como de risco não constitui privilégio, mas adequação normativa à realidade concreta”, afirmou.
Porte de arma passa a incluir vida privada
O texto aprovado amplia o alcance da legislação atual. Enquanto a versão original tratava apenas da compra de equipamentos de defesa, a nova redação altera o Estatuto do Desarmamento (Lei 10.826/03).
Com isso, o porte de arma deixa de se limitar ao horário de trabalho e passa a incluir a vida privada do profissional. A justificativa considera o risco constante de retaliação fora do serviço.
Além dos vigilantes, a proposta também inclui instrutores de armamento e tiro.
Regras para concessão do porte
Para garantir o direito, o texto estabelece critérios obrigatórios. Entre eles:
- comprovação do exercício regular da profissão
- apresentação da Carteira Nacional do Vigilante válida
- cumprimento das exigências do Estatuto da Segurança Privada (Lei 14.967/24)
- aprovação em cursos de formação e avaliação psicológica
Além disso, o empregador deverá informar à Polícia Federal eventuais desligamentos. Dessa forma, o controle sobre o porte se mantém ativo.
Uso indevido pode gerar perda do porte
O projeto também endurece as regras de fiscalização. Caso o profissional utilize a arma para cometer crimes, ele poderá perder o direito ao porte e ainda sofrer demissão por justa causa.
Assim, o texto busca equilibrar ampliação de direitos com mecanismos de controle.
Próximos passos
A proposta ainda seguirá para análise na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ). Como tramita em caráter conclusivo, poderá seguir diretamente ao Senado caso seja aprovada.
Para virar lei, o projeto precisa passar pela Câmara e pelo Senado, além de receber sanção presidencial.

