A incoerente “Campanha da Fraternidade”

Influência em debates públicos, desarmamento e pautas ambientais.

Criada por três sacerdotes ligados à Cáritas a fim de arrecadar fundos para obras sociais, a “Campanha da Fraternidade” teve início em 1962, em Natal (RN), sendo adotada gradativamente por todas as dioceses do Brasil.

De inspiração social e com forte atuação política, a iniciativa chegou até mesmo a fazer lobby desarmamentista em 2005. O resultado foi o êxito do Estatuto do Desarmamento e o recolhimento de milhares de armas. Além disso, em vários momentos, demonstrou bastante preocupação com as políticas de conservação do meio ambiente e sustentabilidade, mas, em um dos cartazes relacionados à temática, chegou a estampar o rosto do controverso Zumbi dos Palmares.

Em 2026, o tema escolhido foi “Fraternidade e Moradia”, com o objetivo de levantar discussões acerca da omissão estatal, da situação precária dos moradores e da necessidade da participação eclesial junto aos pobres. Todavia, a mesma instituição que demonstra preocupação com os menos favorecidos dificulta a construção das pequenas Comunidades de Base, levando percentuais acima de 50% de suas precárias arrecadações mensais para as opulentas Paróquias!

Não obstante, o espírito da Quaresma nunca foi o das questões sociais deste mundo transitório. Surgida no século IV, tem como objetivo a preparação para a Páscoa por meio das práticas de jejum, oração e penitência. Baseia-se no forte simbolismo do número 40 que, no Antigo Testamento, faz referência ao Êxodo de Israel, a Moisés no Sinai e ao Dilúvio de Noé. Já no Novo Testamento, enfatiza os quarenta dias de jejum e tentações que Jesus passou no deserto a fim de se preparar para a plena realização do projeto de Deus na salvação da humanidade.

Dito isso, cabem os seguintes questionamentos: quando Jesus estava passando fome e sede no deserto, ele transformou pedras em pães para saciar os famintos deste mundo? Ele se preocupou em plantar árvores para estimular o reflorestamento da referida região? Teve como objetivo a construção de casas por lá?

“As raposas têm seus covis, e as aves do céu, ninhos; mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”, disse o próprio Mestre por meio da narração do evangelista Lucas, mostrando que aqueles que querem segui-lo não devem ter como prioridade construir moradas na Terra, mas peregrinar pelas veredas da justiça a fim de conquistar uma das muitas que estarão na Eternidade.

Portanto, a atual “Campanha da Fraternidade”, assim como as demais, não reflete o espírito da Quaresma, e sim, as preocupações deste mundo que passa, sem se atentar à gravidade do pensamento antibíblico que está sendo disseminado entre os incautos fiéis.