Desfile sobre Lula vira alvo da oposição; governistas falam em ato cultural

Opositores falam em crime eleitoral e propaganda antecipada

Foto: Alex Ferro / Riotour -

O desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Marquês de Sapucaí, no Rio de Janeiro, provocou forte repercussão política e já é alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral. Aliados e opositores reagiram rapidamente, dividindo opiniões sobre o caráter da apresentação.

Parlamentares da oposição classificaram o desfile como possível propaganda eleitoral antecipada e até crime eleitoral. Já governistas sustentam que se tratou de manifestação cultural legítima e acusam adversários de tentar censurar o Carnaval.

Partidos oposicionistas anunciaram nesta segunda-feira (16) que vão judicializar o caso. Há um processo em tramitação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para apurar eventual prática de propaganda antecipada, cuja multa pode variar de R$ 5 mil a R$ 25 mil. O Partido Novo informou que pretende pedir a inelegibilidade de Lula por suposto abuso de poder político e econômico, sob a alegação de uso de recursos públicos para promoção pessoal.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, afirmou que vai protocolar ação “contra os crimes do PT na Sapucaí com dinheiro público”.

Defesa do governo

Do lado governista, integrantes do PT e do governo federal negam qualquer irregularidade. O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Edinho Silva, declarou que a oposição tenta judicializar uma manifestação cultural ao acionar a Justiça Eleitoral contra o desfile da Acadêmicos de Niterói. Segundo ele, a apresentação foi uma grande manifestação popular.

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, também afirmou que não houve ilegalidade. Para ele, a legislação considera irregular apenas o pedido explícito de voto ou o abuso de poder econômico, o que, segundo sua avaliação, não ocorreu.

Outras manifestações

O ex-presidente Michel Temer (MDB), citado no enredo, disse que não vê sentido em exigir rigor histórico de um desfile carnavalesco. Ele lembrou ter sido satirizado pela escola Paraíso do Tuiuti em 2018 e afirmou que a sátira política faz parte da tradição do Carnaval. Neste ano, a Acadêmicos de Niterói retratou Temer “roubando” a faixa presidencial de Dilma Rousseff, em referência ao impeachment de 2016.

O ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira, afirmou nas redes sociais que a Sapucaí testemunhou “a história viva passando pela avenida”. Já o senador Humberto Costa (PT) declarou que a escola narrou a trajetória de um “nordestino que dedicou a vida ao povo”.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) também comentou o desfile. Um dos carros alegóricos mostrava o palhaço Bozo atrás das grades, com tornozeleira eletrônica. Ao compartilhar a imagem, ela afirmou que Lula foi preso por corrupção e escreveu: “Isso é registro judicial, não opinião”.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, criticou a apresentação e afirmou que transformar escola de samba em “palanque político” afronta a ética e o equilíbrio democrático. O deputado federal Coronel Zucco (PL-RS) também divulgou nota afirmando que há indícios que merecem apuração quanto à possível promoção eleitoral antecipada.

O caso agora será analisado pela Justiça Eleitoral, em meio ao embate político sobre os limites entre manifestação cultural e propaganda eleitoral.