40 anos sem Augusto Ruschi, defensor histórico da Mata Atlântica

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Augusto Ruschi durante pesquisa com beija-flor em Santa Teresa, no Espírito Santo. Foto: Divulgação -

O próximo dia 3 de junho marca os 40 anos da morte de Augusto Ruschi, um dos maiores naturalistas da história do Brasil e referência mundial na defesa da Mata Atlântica. Até hoje, o pesquisador capixaba influencia estudos, projetos ambientais e ações de preservação em todo o país.

Nascido em Santa Teresa, na região serrana do Espírito Santo, em 12 de dezembro de 1915, Ruschi demonstrou interesse pela natureza ainda na infância. Desde cedo, ele viveu cercado pela Mata Atlântica e começou a colecionar orquídeas, bromélias e insetos. Dessa forma, iniciou uma trajetória marcada pela observação da biodiversidade brasileira.

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Em 1940, Augusto Ruschi concluiu a graduação em agronomia. Dez anos depois, também se formou em Ciências Jurídicas. Além disso, sua aproximação com o Museu Nacional do Rio de Janeiro, por meio do zoólogo Cândido Firmino de Mello Leitão, ampliou sua atuação científica. Assim, passou a realizar expedições em áreas pouco exploradas do Espírito Santo e de outras regiões do Brasil.

Fundação do Museu Mello Leitão

Em 1949, Ruschi criou o Museu de Biologia Professor Mello Leitão, em homenagem ao amigo e mentor científico. A instituição surgiu em uma propriedade doada por sua mãe, Maria Roatti Ruschi, em Santa Teresa.

Logo depois, o espaço se transformou em referência nacional em pesquisas ligadas à zoologia, botânica, ecologia e conservação ambiental. Com o passar dos anos, o museu também deu origem ao atual Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Referência mundial nos estudos com beija-flores

Augusto Ruschi conquistou reconhecimento internacional por causa das pesquisas sobre beija-flores. Ao longo da carreira, ele desenvolveu técnicas pioneiras de captura, transporte, reprodução e criação dessas aves em cativeiro.

Além disso, o pesquisador integrou importantes instituições científicas e ambientais, incluindo a Academia Brasileira de Ciências. Paralelamente, participou de conselhos e organizações voltadas à preservação da natureza.

Por causa da contribuição científica e ambiental, Ruschi recebeu diversas homenagens nacionais e internacionais. Em 1994, o Brasil também concedeu ao pesquisador, de forma póstuma, o título de Patrono da Ecologia.

Legado ambiental permanece atual

Augusto Ruschi morreu em 3 de junho de 1986, poucos dias antes do Dia Mundial do Meio Ambiente, em decorrência de uma doença no fígado. Conforme seu desejo, familiares e amigos realizaram o sepultamento na Estação Biológica de Santa Lúcia, em Santa Teresa, local diretamente ligado à sua trajetória científica.

Atualmente, o INMA, o Museu Nacional da UFRJ e a Sociedade de Amigos do Museu Nacional (SAMN) dividem a gestão da estação biológica.

Segundo a historiadora Alyne Gonçalves, pesquisadora do INMA, os alertas feitos por Ruschi continuam extremamente atuais.

“Ruschi defendia a conservação da natureza em um período em que o tema ainda recebia pouca atenção no Brasil. Muitas das preocupações levantadas por ele décadas atrás, como o desmatamento, o uso indiscriminado de agrotóxicos e a destruição de ecossistemas, continuam presentes”, destacou.

Quatro décadas após sua morte, Augusto Ruschi permanece como símbolo da preservação ambiental e da defesa da Mata Atlântica brasileira.

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Augusto Ruschi durante trabalho de pesquisa e captação de sons da natureza na Mata Atlântica.