Um ano após o discurso do vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, na Conferência de Segurança de Munique, a relação entre Europa e EUA segue sob forte tensão. Atualmente, o encontro deste ano começa em um ambiente de incerteza. Além disso, líderes discutem o futuro da Otan em meio à guerra na Ucrânia.
Pressão dos EUA sobre a defesa europeia
A mais recente Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos ampliou o desconforto. Segundo o documento, a Europa deve sustentar sua própria defesa. Com isso, cresce o temor de um recuo do apoio militar americano. Por consequência, a segurança do continente entra em debate.
Crise da Groenlândia agrava o cenário
Além do fator militar, a crise envolvendo a Groenlândia aumentou o desgaste. Donald Trump voltou a afirmar que precisa controlar a ilha por razões de segurança. Por um período, ele não descartou o uso da força. Como a Groenlândia pertence à Dinamarca, o episódio gerou reação imediata. Dessa forma, autoridades dinamarquesas alertaram para um risco direto à Otan.
Aliança muda, mas segue ativa
Apesar da tensão, especialistas evitam falar em ruptura total. O ex-chefe do MI6, Alex Younger, reconhece mudanças profundas. Ainda assim, ele afirma que a parceria continua estratégica. Ao mesmo tempo, defende que a Europa assuma maior parte dos custos de defesa.
Divergências além do campo militar
No entanto, as divisões não se limitam aos gastos militares. Além disso, temas como comércio e imigração ampliam o atrito. Da mesma forma, o debate sobre liberdade de expressão aprofunda o distanciamento. Enquanto isso, governos europeus demonstram preocupação com a relação de Trump com Vladimir Putin. Por isso, cresce a desconfiança sobre a postura americana diante da Rússia.
O significado do “teste de Narva”
Nesse contexto, surge o chamado “teste de Narva”. Narva é uma cidade da Estônia, localizada na fronteira com a Rússia. Atualmente, a maioria da população fala russo. A dúvida central, portanto, é simples: se Moscou avançasse sobre a cidade, os EUA reagiriam?
Em teoria, a Otan acionaria o Artigo 5, que prevê defesa coletiva. Mesmo assim, a imprevisibilidade da política americana levanta incertezas. Com isso, cresce o temor de erros de cálculo.
Outros pontos sensíveis no mapa europeu
Além de Narva, analistas citam outras áreas vulneráveis. Entre elas, está o estreito de Suwalki, que separa Belarus de Kaliningrado. Da mesma forma, o arquipélago de Svalbard, administrado pela Noruega, entrou no radar estratégico. Por fim, a combinação de guerra ativa e dúvidas políticas aumenta os riscos para a Europa.
A Conferência de Segurança de Munique deve apontar caminhos para a aliança. Ainda assim, líderes europeus admitem que as respostas podem não corresponder às expectativas históricas do continente.
