
O setor brasileiro de autopeças entrou em estado de alerta após as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. Nesta semana, representantes da Abifa, Anfavea, Sindipeças e Abimaq participaram de reuniões no Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), em Brasília. O objetivo foi discutir alternativas para reduzir os impactos do tarifaço. Segundo o Sindipeças e a Abipeças, que representam mais de 520 fabricantes, a medida aumenta os desafios de um segmento que já enfrenta forte concorrência internacional. Além disso, dificulta a expansão das exportações brasileiras.
Novas tarifas ampliam preocupação da indústria
De acordo com as entidades, o impacto vai além do aumento dos custos. Desde 2010, a balança comercial de autopeças é superavitária para os Estados Unidos. Por isso, a nova tributação torna o cenário ainda mais delicado para a indústria brasileira. Desde 22 de julho, as autopeças que não estavam enquadradas na Seção 232 passaram a pagar uma sobretaxa de 25%. Além disso, uma nova cobrança de 12,5% deverá entrar em vigor nas próximas semanas. Assim, a sobretaxa total chegará a 37,5% para diversos produtos exportados aos Estados Unidos.
Exportações já registram queda
Entre janeiro e junho deste ano, o Brasil exportou US$ 567 milhões em autopeças para os Estados Unidos. O país é o segundo principal destino das vendas externas do setor, atrás apenas da Argentina. No entanto, o volume exportado caiu 10,4% em comparação com o mesmo período de 2025, segundo dados do Sindipeças.
Risco de perda de contratos
As entidades afirmam que a principal preocupação é a perda de competitividade nos programas futuros das montadoras. Isso porque muitas autopeças são desenvolvidas exclusivamente para determinados veículos e plataformas. Dessa forma, elas não podem ser redirecionadas facilmente para outros mercados. Como consequência, a indústria brasileira pode perder contratos estratégicos e reduzir sua participação nas cadeias globais de fornecimento.
Setor defende negociações e incentivo à indústria
Diante desse cenário, Sindipeças e Abipeças defendem a continuidade das negociações diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos. Além disso, pedem o fortalecimento das políticas industriais. Entre as propostas estão a ampliação dos recursos destinados à pesquisa, ao desenvolvimento e à inovação por meio do programa Mover. As entidades também solicitam o reforço do programa Brasil Auto Parts, realizado em parceria com a ApexBrasil. O objetivo é ampliar a internacionalização da indústria nacional de autopeças. Esse processo, porém, exige planejamento e não acontece de forma imediata.










