
A Polícia Civil do Espírito Santo concluiu que o assassinato do suplente de vereador Renato Rosa, de 52 anos, ocorrido em 2024 em Vila Valério, no Noroeste do Estado, teve relação com vingança do tráfico de drogas e não com motivação eleitoral, como se suspeitava inicialmente.
Renato Rosa morreu na noite de 6 de outubro de 2024, poucas horas após a divulgação do resultado das eleições. Criminosos executaram a vítima com cerca de 20 tiros no bairro Boa Vista. A Polícia Militar encontrou Renato caído ao lado de uma motocicleta, na rua Antônio Dias Pereira.
De acordo com o delegado Erick Esteves, responsável pelo caso, as investigações avançaram após a prisão dos envolvidos. A polícia identificou que Renato mantinha conflitos frequentes com traficantes da região porque não aceitava as imposições criminosas feitas à comunidade.
Além disso, o delegado destacou que Renato tinha postura ativa contra a atuação da facção no bairro, o que aumentou os atritos com os criminosos.
“O que ficou claro para nós, depois de prendermos os quatro envolvidos, o último em março de 2026, foi que foi apenas uma resposta ao tráfico. O Renato tinha um perfil muito ativo com o pessoal do tráfico da comunidade. Ele não aceitava determinadas colocações e obrigações que o tráfico estava tentando impor”, afirmou Erick Esteves.
Troca de tiros aconteceu meses antes do assassinato
Segundo a Polícia Civil, Renato Rosa começou a andar armado após sofrer ameaças constantes. Ainda conforme a investigação, meses antes da execução, ele chegou a trocar tiros com integrantes da facção criminosa.
Na ocasião, dois suspeitos ficaram baleados. A polícia acredita que o confronto motivou a execução do suplente de vereador.
“O Renato tinha o perfil de bater de frente com esses assassinos e acabou que, infelizmente, vieram a executá-lo”, completou o delegado.
A investigação apontou que Gabriel da Cunha Guedes, de 28 anos, Elisson Victor Borges D’Ajuda, de 21, Kaio Rodrigues da Vitória, de 23, e Marlom Nunes Carvalho, também de 23 anos, integravam a facção criminosa responsável pelo homicídio.
Polícia ampliou combate à facção criminosa
O delegado-geral adjunto da Polícia Civil, Fabrício Dutra, afirmou que a investigação ajudou a identificar outros integrantes da organização criminosa envolvidos em crimes ligados ao tráfico de drogas em Vila Valério.
Segundo ele, a operação resultou em diversas prisões e fortaleceu o combate ao crime organizado na região.
“Nós conseguimos não só elucidar o fato, mas entender e combater a facção que está no município. Foram muitas prisões realizadas porque, através da elucidação desse crime, chegamos a outros faccionados que atuavam na região”, destacou.
Durante as investigações, os quatro suspeitos acabaram presos. O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) denunciou todos os envolvidos, que atualmente respondem à ação penal na Justiça.












