Policial civil da Narcóticos é suspeito de desviar crack do PCC em Vitória

Investigação aponta esquema com agentes e possível ligação com facção criminosa.

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- Foto: Reprodução/ Redes Sociais

Um policial civil do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc) entrou na mira da investigação por desviar parte de uma carga de crack apreendida durante uma operação na BR-101, no Sul do Espírito Santo.

Erildo Rosa Júnior acabou preso na Operação Turquia junto com outros dois policiais. Segundo os investigadores, o grupo desviava drogas apreendidas e, em seguida, revendia o material a traficantes. A defesa nega as acusações.


O caso ganhou destaque após reportagem exibida pelo Fantástico, no dia 29 de março. A matéria apresentou áudios, vídeos e depoimentos reunidos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES).

Além disso, as denúncias indicam que a droga desviada teria como destino um grupo criminoso ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com atuação em Vitória.


De acordo com o Ministério Público, o episódio central ocorreu em 18 de dezembro de 2023. Na ocasião, a equipe liderada por Erildo saiu da Serra até Rio Novo do Sul para interceptar um ônibus da linha São Paulo-Vitória.

Os policiais abordaram a passageira Josélia Soares Lopes Rebouças e realizaram a prisão em flagrante. Oficialmente, a equipe registrou a apreensão de 2 kg de crack e dois celulares.

No entanto, outros elementos da investigação apontam inconsistências na ocorrência.


Segundo o traficante Yago Sahib Bahia, conhecido como Passarinho e ligado ao PCC, a carga transportada chegava a 8 kg de crack. Mesmo assim, os policiais registraram apenas 2 kg.

Além disso, o Ministério Público identificou irregularidades no inquérito. O policial solicitou a destruição dos celulares antes da análise dos dados.

A Justiça negou o pedido. Em seguida, a extração das informações revelou indícios sobre o destino da droga e a ligação com o grupo criminoso.

Fotos encontradas no aparelho mostravam cinco pacotes. Porém, apenas dois chegaram à delegacia.


As investigações apontam um esquema mais amplo. Segundo a Polícia Federal e o MP-ES, policiais se associaram a criminosos para desviar drogas apreendidas e revendê-las no mercado ilegal.

Ao todo, cinco policiais civis do Denarc aparecem nas investigações. Além disso, 15 policiais militares também são investigados. Até agora, 14 militares seguem presos preventivamente.

Entre os civis, há afastamentos e prisões. Um dos nomes citados é o investigador Eduardo Tadeu Ribeiro Batista da Cunha, apontado como possível líder do esquema.


O advogado Frederico Pozzatti de Souza afirmou que Erildo atuou dentro da legalidade durante toda a ocorrência.

Segundo a defesa, a equipe encaminhou o material apreendido às autoridades competentes e comunicou o caso ao Ministério Público e ao Judiciário.

Além disso, o advogado ressaltou que fatos posteriores não podem ser atribuídos ao policial.

A defesa de Josélia não foi localizada.


As autoridades seguem com diligências para esclarecer o destino da carga desviada e identificar todos os envolvidos.

Enquanto isso, a Operação Turquia avança com novas análises e coleta de provas.

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