
Um policial civil apontado como um dos principais envolvidos em um esquema de tráfico no Espírito Santo já havia sido afastado do Departamento Especializado de Narcóticos (Denarc) em 2017. Mesmo assim, ele retornou à unidade e seguiu atuando.
Segundo a Polícia Federal e o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), o agente Eduardo Tadeu ocupa posição central no esquema. As investigações mostram que ele e outros policiais desviavam drogas apreendidas para revenda no mercado ilegal.
Esquema envolvia policiais e traficantes
De acordo com a apuração, os policiais deixavam de registrar parte das drogas nos boletins de ocorrência. Em seguida, repassavam os entorpecentes a traficantes ligados ao grupo.
Dessa forma, os envolvidos lucravam com a revenda ilegal.
Além disso, mensagens interceptadas indicam ligação direta entre o policial e lideranças do tráfico. Em um dos trechos, um criminoso chama o agente de “chefe”.
Suspeitas surgiram há anos
As suspeitas sobre o policial não são recentes. Há pelo menos nove anos, investigadores já apontavam irregularidades na atuação dele.
Na época, um delegado solicitou o afastamento do agente do Denarc. Por isso, ele chegou a ser transferido.
Mesmo fora da unidade, ele ainda teria interferido em investigações. Em um dos casos, por exemplo, uma operação contra o PCC foi comprometida após ação antecipada.
Operação expõe dimensão do esquema
Com o avanço das investigações, a Polícia Federal deflagrou a Operação Turquia II. A ação cumpriu mandados de prisão, busca e afastamento de servidores.
Além disso, outro policial civil foi preso, enquanto outros agentes foram afastados. Ao mesmo tempo, policiais militares também passaram a ser investigados.
Segundo depoimentos, o esquema movimentou mais de R$ 1 milhão em drogas desviadas.
Polícia reage e promete punição
Diante do caso, o delegado-geral da Polícia Civil afirmou que a instituição não tolera desvios.
“Não podemos permitir que poucos policiais prejudiquem toda a corporação”, declarou.
Investigação continua
Agora, a Polícia Federal e o MPES seguem com as apurações. Ao mesmo tempo, os investigadores tentam entender como o policial conseguiu voltar ao Denarc mesmo após suspeitas anteriores.










