Polícia prende quadrilha de São Paulo suspeita de furto milionário em Vila Velha

Polícia Civil prendeu quatro suspeitos de integrar quadrilha especializada em furtos de alto padrão. Grupo teria levado mais de R$ 700 mil em joias e dinheiro em Vila Velha.

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- Fotos: Divulgação/PCES

A Polícia Civil do Espírito Santo prendeu quatro integrantes de uma quadrilha de São Paulo especializada em furtos a imóveis de alto padrão. A corporação anunciou a operação na manhã desta quarta-feira (6) e, além disso, informou que o grupo atuava em diferentes estados do país.

Segundo as investigações, os criminosos invadiram um apartamento na Praia da Costa, em Vila Velha, e furtaram mais de R$ 700 mil em joias e dinheiro. O imóvel pertence a uma moradora capixaba que vive na Europa e utiliza o apartamento apenas durante temporadas no Brasil.

Quadrilha monitorava rotina das vítimas

De acordo com a Polícia Civil, o grupo analisava detalhadamente o perfil das vítimas antes de executar os crimes. Além disso, os suspeitos utilizavam informações obtidas na internet, inclusive dados encontrados em ambientes da deep web e dark web.

O delegado Gianno Trindade, titular da Delegacia Especializada de Segurança Patrimonial (DSP), explicou que os criminosos acessavam informações pessoais completas das vítimas.

“Eles têm acesso a sites hospedados até fora do Brasil. Esses sistemas fornecem nome completo, endereço, telefone, dados do condomínio e até informações financeiras”, afirmou o delegado.

Além disso, os investigadores identificaram que os suspeitos escolhiam alvos de alto poder aquisitivo e, posteriormente, acompanhavam a rotina dos moradores antes das invasões.

Suspeitas entraram no prédio fingindo ser familiares

O furto aconteceu em março de 2023. Segundo a investigação, enquanto parte da quadrilha dava suporte do lado de fora, duas mulheres conseguiram entrar no condomínio se passando por familiares de um morador.

Na ocasião, o porteiro não estava no local. Por isso, a zeladora acabou liberando a entrada após pressão das suspeitas.

Depois disso, as criminosas confirmaram que o apartamento estava vazio, arrombaram a porta e permaneceram no imóvel entre 20 e 40 minutos. Durante esse período, elas recolheram joias, dinheiro e diversos objetos de valor antes de deixarem o prédio com malas cheias.

Além disso, imagens de videomonitoramento registraram toda a movimentação das suspeitas na entrada e na saída do condomínio.

Polícia rastreou iPod furtado

A investigação avançou após a polícia rastrear um iPod levado durante o crime. A partir do aparelho, os investigadores localizaram a pousada onde os suspeitos ficaram hospedados em Vila Velha.

Com isso, a Polícia Civil identificou Joel da Silva Santana, apontado como responsável pela logística da quadrilha, além de Rayssa Carneiro Arruda, Maria Luyza Silva de Oliveira e Carolina Arraes de Lima.

Todos tiveram a prisão preventiva decretada pela Justiça.

“Conseguimos reunir provas, imagens e dados extraídos de celulares que colocam os quatro investigados diretamente na cena do crime”, destacou Gianno Trindade.

Grupo pode ter ligação com outros furtos

Segundo a Polícia Civil, a quadrilha integra uma organização criminosa maior, com atuação em diversos estados brasileiros. Além disso, os investigadores apuram a participação do grupo em outros furtos registrados recentemente no Espírito Santo.

Pelo menos dois casos ocorridos em abril deste ano seguem em fase avançada de investigação e apresentam o mesmo padrão de atuação, com invasões a imóveis de luxo e furtos de joias e dinheiro.

Durante a coletiva, a polícia também informou que integrantes do grupo teriam tentado invadir o imóvel do advogado Fábio Wajngarten, ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

De acordo com os investigadores, registros mostram uma das suspeitas na porta do apartamento do advogado. Dessa maneira, a polícia reforça a suspeita de que a organização atuava em alvos de alto padrão em diferentes regiões do país.

Polícia reforça alerta para condomínios

Além das prisões, a Polícia Civil reforçou o alerta para vulnerabilidades no controle de acesso de condomínios residenciais.

Segundo o delegado, os criminosos aproveitavam falhas na checagem de visitantes para entrar nos prédios sem levantar suspeitas. Por isso, a corporação recomenda protocolos mais rígidos de segurança.

“A orientação é sempre confirmar informações com o morador e adotar protocolos rígidos de acesso”, alertou Trindade.