
Uma pregação contundente da pastora Helena Raquel, da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADVIP), tornou-se o centro de um debate nacional ao confrontar temas sensíveis como violência doméstica e pedofilia dentro do ambiente religioso. O discurso, proferido durante o congresso Gideões Missionários da Última Hora no último domingo (3), rompeu bolhas ideológicas e atraiu o apoio de figuras centrais da política brasileira, de Michelle Bolsonaro a Tabata Amaral.
O Discurso: “Pecado não se protege, se confronta”
Durante sua fala, Helena Raquel criticou a cultura do silêncio que, segundo ela, muitas vezes permeia as igrejas sob a justificativa de evitar “escândalos”. A pastora enfatizou que a autoridade espiritual não pode servir de escudo para agressores.
“Ungido não é abusador. Ungido não é agressor. Se fere, oprime e violenta, isso não é autoridade espiritual. Isso é pecado”, afirmou a religiosa.
Helena Raquel incentivou as vítimas a buscarem ajuda imediata, destacando a importância dos canais oficiais de denúncia:
- Ligue 180: Para casos de violência contra a mulher.
- Ligue 100: Para casos de abuso e exploração infantil.
Repercussão Política: União entre Opostos
A coragem da pastora em abordar o “saber empírico” sobre a omissão religiosa gerou uma rara convergência entre diferentes espectros políticos:
- Tabata Amaral (PSB-SP): A deputada federal classificou a pregação como “corajosa e necessária”. Tabata, que é relatora do PL da Misoginia, aproveitou o momento para reforçar a urgência de políticas públicas de combate à violência de gênero, afirmando que mulheres de diferentes lados estão se unindo por essa causa.
- Michelle Bolsonaro (PL-DF): A ex-primeira-dama e liderança evangélica compartilhou uma análise da psicanalista Angela Sirino sobre o caso. O conteúdo reforça que a fé não deve acobertar crimes, mas sim confrontá-los, questionando por que a denúncia incomodou setores conservadores.
- Pedro Campos (PSB-PE): O parlamentar também repercutiu o vídeo, pontuando que “nenhuma fé pode ser usada para silenciar a violência”.
Polêmica no Meio Evangélico
Apesar do amplo apoio público, a fala de Helena Raquel gerou resistência em alas mais tradicionais da igreja. Críticos argumentam que a exposição poderia “manchar” a imagem da instituição. Em resposta, a pastora utilizou suas redes sociais para reafirmar que a igreja deve ser um “lugar de cura, não de medo”, e que a verdadeira libertação só ocorre onde há verdade.
O episódio marca um momento significativo no cenário religioso e político de 2026, sinalizando que a pauta da proteção à mulher e à infância possui força para sobrepor a polarização partidária.










