Lições chinesas para recuperar desertos

China transforma deserto em áreas produtivas com cinturão verde que combina tecnologia, energia e agricultura sustentável

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Foto: IA -

A China tem vários projetos em andamento para recuperar desertos. O maior programa ecológico do mundo, conhecido como o “Grande Muralha Verde”, é o Programa de Cinturão Protetor das Três Nascentes, que está em execução desde 1978 e deve continuar até 2050.

As iniciativas não envolvem somente o plantio de árvores, mas adota tecnologias inovadoras e que geram receitas para garantir a sustentabilidade do projeto. O mais impressionante foi realizado no Deserto de Taklimakan que tem 337.000 km², o maior deserto da China e o segundo maior deserto de dunas movediças do mundo, apelidado de “Mar da Morte”.

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Há dois anos, ele foi cercado por um cinturão verde de mais de 3.000 km. E, no ano passado, entrou para a lista das 10 Maiores Realizações de Engenharia Global de 2025, organizada pela Federação Mundial de Organizações de Engenharia. Entretanto, o confinamento foi só o começo. Somente em 2025, o cinturão protetor foi alargado entre 110 metros e 7,5 km, e sua área foi expandida em impressionantes 626.000 hectares. 

O objetivo não é eliminar o deserto, mas frear sua expansão. Equipes de especialistas foram reunidas e três estações de pesquisa do deserto receberam a tarefa de desenvolver tecnologias. Criaram padrões locais para a construção ecológica e fundos para promover a colaboração entre universidades, instituições de pesquisa e empresas estatais e privadas. 

Estações de pesquisa em diferentes regiões foram apoiadas para realizar estudos sobre espécies de plantas adequadas para o cultivo no deserto, modelos de gestão e a combinação de técnicas mais eficazes para o controle do deserto. E ainda incluiu organizações sem fins lucrativos e agricultores e pastores locais.

Os resultados: de 2009 a 2019, a área de terra desertificada diminuiu em 50.000 km², e a área de terra arenosa diminuiu em 43.300 km². Em Xinjiang, dados de 2024 mostram uma redução líquida de mais de 5.229 km² de terra desertificada e de 1.507 km² de terra arenosa. E, ainda, os dias com tempestades de areia caíram de 179 para 128 anualmente. 

A estratégia atual de Xinjiang é fazer a barreira verde gerar riqueza, tendo três modelos: o primeiro é o cultivo comercial em mais de 722.000 hectares de culturas baseadas na areia, como o ginseng do deserto, gerando um valor impressionante de US$ 4,2 bilhões. E ainda empregar dezenas de milhares de famílias.

O segundo modelo, painéis solares geram energia elétrica e sombra para plantas. Com a eletricidade extrai-se água salobra subterrânea para algumas plantas. Os empregos gerados são de 1.200 pessoas na primeira fase, quando concluído, deve passar de 5.000 empregos.

Finalmente, criaram o ecoturismo no deserto. Em 2025, Yutian recebeu mais de 2 milhões de visitantes, um sinal claro de que o deserto está mudando de um lugar a ser temido para um lugar de fascínio e oportunidade econômica.

Eis um ótimo modelo para que nossos políticos apoiem, seja da situação ou da oposição. O Brasil precisa salvar rios, como o São Francisco, e combater a desertificação, missão que não tem cor partidária!