
Uma adolescente de 14 anos descobriu que seu nome aparecia em uma lista de conteúdo sexual ao pesquisar o próprio nome completo na internet. O caso envolve alunas do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav).
Segundo a mãe da estudante, a filha brincava com amigas de pesquisar os próprios nomes em um buscador quando encontrou a página. A mulher contou que a adolescente ficou surpresa e revoltada com a situação. Ao todo, a lista continha os nomes de 65 alunas do 9º ano, distribuídas em categorias de teor sexual e depreciativo.
Mães denunciam danos emocionais
A mãe classificou o episódio como uma grave forma de violência psicológica. Além disso, afirmou que a filha retomou o acompanhamento com um psicólogo após o ocorrido.
Apesar de considerar que a adolescente enfrenta a situação com equilíbrio, ela relatou que outras estudantes tiveram reações mais intensas. Segundo a mãe, algumas vítimas não querem voltar à escola e demonstram vergonha e sofrimento após a exposição.
Ela também destacou que a rápida disseminação do conteúdo nas redes sociais ampliou o impacto da violência. Por isso, defendeu a responsabilização dos autores da lista e dos responsáveis legais pelos adolescentes envolvidos.
Polícia ouve vítimas e investiga autores
A Dcav já ouviu sete estudantes vítimas do caso e também recebeu o depoimento do diretor da unidade escolar. Conforme a Polícia Civil, os adolescentes investigados poderão responder por atos infracionais análogos aos crimes de injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame ou constrangimento. Além disso, a investigação poderá incluir outras infrações caso surjam novas provas.
A delegada Maria Luiza Machado afirmou que registros desse tipo cresceram nos últimos anos. Segundo ela, meninas e adolescentes estão entre as principais vítimas desse tipo de exposição na internet.
Para evitar novos traumas, a delegacia utiliza o procedimento de depoimento especial, no qual profissionais especializados ouvem as vítimas em ambiente adequado, reduzindo a necessidade de novos relatos ao longo da investigação.
Escola retirou o conteúdo do ar
Em nota, o Colégio Cruzeiro informou que registrou boletim de ocorrência logo após tomar conhecimento do caso. Além disso, a instituição comunicou a plataforma onde a lista foi publicada, que retirou o conteúdo do ar.
A escola afirmou ainda que presta apoio às alunas e às famílias envolvidas. Também informou que desenvolve ações permanentes sobre ética, cidadania digital e uso responsável das redes sociais. Por fim, destacou que a apuração sobre autoria e eventual punição compete às autoridades responsáveis pela investigação.










