Jovem com pressão alta? Cardiologista explica os riscos e faz alerta

Pressão alta cresce entre pessoas mais jovens e acende alerta para hábitos, saúde emocional e estilo de vida

- andreswd/Getty Images

Antes associada ao envelhecimento, a hipertensão arterial tem sido diagnosticada cada vez mais cedo. Entre jovens, mesmo sem histórico familiar, o problema surge ligado a mudanças no estilo de vida, como estresse constante, má qualidade do sono e alimentação inadequada. Segundo o cardiologista Fabrício Da Silvia, o corpo jovem não está imune aos efeitos cumulativos de hábitos pouco saudáveis.

Entenda

  1. A hipertensão em jovens está ligada ao comportamento, não só à genética
  2. Estresse, sono ruim e sedentarismo afetam diretamente a pressão arterial
  3. Substâncias como álcool, nicotina e anabolizantes aumentam o risco
  4. Mudanças simples de rotina podem prevenir ou adiar o uso de medicamentos

De acordo com o especialista, há uma antecipação dos quadros de pressão alta impulsionada por transformações no cotidiano.

“Sedentarismo, consumo excessivo de sódio e ultraprocessados, ganho de peso, privação crônica de sono e estresse contínuo interferem nos mecanismos que regulam a pressão arterial”, explica.

Esses fatores atuam sobre o sistema nervoso autônomo e o equilíbrio hormonal, favorecendo a elevação persistente da pressão.

Hábitos comuns na juventude têm impacto direto nesse processo. O estresse constante mantém elevados os níveis de adrenalina e cortisol, enquanto a falta de sono compromete a saúde vascular e aumenta a rigidez das artérias. Segundo o médico, o uso excessivo de telas contribui para o sedentarismo, piora do descanso e sobrecarga mental. Já o consumo de álcool, mesmo em quantidades consideradas moderadas, pode elevar a pressão de forma sustentada.

A alimentação também ocupa papel central. Alimentos ultraprocessados, ricos em sódio, gorduras inflamatórias e aditivos, favorecem a retenção de líquidos e a disfunção vascular. O tabagismo e o uso de cigarros eletrônicos agravam ainda mais o cenário: a nicotina provoca vasoconstrição imediata e, a longo prazo, danifica a parede dos vasos sanguíneos, aumentando o risco de hipertensão e doenças cardiovasculares precoces.

Fatores emocionais, como ansiedade crônica e burnout, também não devem ser subestimados. “Quando o organismo permanece em estado de alerta por longos períodos, picos ocasionais de pressão podem se transformar em hipertensão estabelecida”, alerta Fabrício. A repetição de níveis elevados em diferentes horários é um sinal claro de que algo não vai bem.

Outro ponto de atenção é o uso de hormônios anabolizantes. Segundo o cardiologista, o consumo abusivo, muitas vezes associado à busca por estética ou desempenho físico, está ligado ao aumento da pressão arterial, retenção de líquidos, alterações no colesterol e maior risco de eventos cardiovasculares, mesmo em jovens aparentemente saudáveis.

Embora a hipertensão seja frequentemente silenciosa, alguns sinais costumam ser ignorados: dores de cabeça recorrentes, cansaço excessivo, palpitações, tontura, visão embaçada, sensação de pressão no peito e queda no desempenho físico ou cognitivo. A ausência de sintomas, porém, não significa ausência de risco.

Antes de recorrer a medicamentos, mudanças de comportamento fazem grande diferença. Atividade física regular, sono de qualidade, redução do consumo de sal, álcool e ultraprocessados, abandono do tabagismo — incluindo vapers — e controle do estresse são medidas eficazes. Monitorar a pressão com regularidade, mesmo sem sintomas, também é fundamental.

“Quando adotadas precocemente, essas estratégias têm impacto significativo na prevenção e no controle da hipertensão em jovens”, conclui o especialista da Amplexus Saúde Especializada. O cuidado com o bem-estar hoje pode evitar complicações cardiovasculares no futuro.

FONTE: METROPOLES