
Estudar no exterior parecia um sonho distante para muitos estudantes da rede pública do Espírito Santo. Para alguns jovens, viajar de avião já parecia improvável. Morar em outro país por três meses, então, era algo praticamente impossível de imaginar.
No entanto, essa realidade começou a mudar por meio do Programa de Intercâmbio Estudantil da Secretaria de Estado da Educação (Sedu). A iniciativa vem levando estudantes capixabas para países como Canadá, Estados Unidos, Irlanda, Chile e Argentina com todas as despesas pagas pelo Governo do Estado.
Em 2026, o programa alcançou o maior número de vagas desde a criação. Ao todo, 500 estudantes conquistaram bolsas para viver uma experiência internacional de imersão em inglês ou espanhol.
Além disso, o projeto passou a transformar perspectivas de vida, fortalecer sonhos e ampliar horizontes de jovens que nunca imaginaram sair do país.
“Parecia um sonho”, diz estudante
A estudante Rebekah de Ornelas Soares Nascimento, de 18 anos, viveu essa transformação na prática. Ex-aluna do Centro Estadual de Idiomas (CEI), ela embarcou para a Irlanda após conquistar uma das bolsas do programa.
Segundo Rebekah, o desejo de estudar fora surgiu ainda durante as aulas de idiomas na rede estadual.
“Desde pequena, eu sempre sonhei em fazer um intercâmbio, viajar para fora do país, estudar e conhecer novas pessoas e culturas”, contou.
Ela afirma que decidiu participar da seleção sem imaginar que pouco tempo depois estaria vivendo em outro continente.
“Foi uma oportunidade que eu realmente consegui graças à iniciativa do Governo do Estado do Espírito Santo. Se fosse pela minha condição financeira, eu não teria como realizar esse sonho”, destacou.
Na Irlanda, Rebekah afirma que viveu uma experiência muito além do aprendizado de um novo idioma.
Além disso, ela relata que ganhou maturidade, autoconfiança e mais segurança para falar inglês.
Experiência muda comportamento e visão de futuro
Para professores que acompanham os estudantes antes e depois da viagem, a mudança é perceptível.
O professor de inglês Otto Peruzo acompanhou a trajetória de Rebekah e afirma que os alunos retornam mais confiantes após a experiência internacional.
“Eles voltam muito mais confiantes. A postura muda, a oratória muda, a forma como se apresentam também”, afirmou.
Segundo ele, muitos estudantes da rede pública dificilmente conseguiriam custear um intercâmbio por conta própria.
Além disso, Otto destaca que a experiência também muda a visão de futuro dos jovens.
“Muitos voltam com foco maior nos estudos, na profissão e até no desejo de continuar aprendendo idiomas”, explicou.
De Cariacica para os Estados Unidos
Outra história que representa o impacto do programa é a da capixaba Mariany Monteiro, de 25 anos.
Natural de Boa Sorte, em Cariacica, ela cresceu em uma família humilde e sem condições financeiras para pagar um curso de inglês.
A mudança aconteceu em 2018, quando conquistou uma vaga no intercâmbio da Sedu e embarcou para Toronto, no Canadá.
Antes da experiência, Mariany acreditava que estudar no exterior era algo distante da realidade dela.
“Eu sempre assistia à televisão e achava que aquilo não era para mim. Meus pais sempre diziam que, através do estudo, eu conseguiria realizar meus sonhos”, relembrou.
Depois de retornar ao Brasil, ela cursou Letras-Inglês na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
Atualmente, Mariany vive nos Estados Unidos, onde atua como professora de português para estrangeiros na Universidade de Notre Dame, como bolsista da Fulbright.
“Hoje estar aqui nos Estados Unidos é a realização de um grande sonho. Eu não estaria aqui se não fosse essa oportunidade”, afirmou.
Programa já contemplou mais de mil estudantes
Segundo o governador Ricardo Ferraço, o programa vai além do ensino de idiomas e busca ampliar horizontes para estudantes da rede pública estadual.
De acordo com ele, o projeto começou com apenas 10 vagas e chegou ao recorde de 500 bolsas em 2026.
Além disso, o Estado custeia passagens aéreas, hospedagem, seguro-saúde, documentação e ajuda de custo durante os 90 dias no exterior.
“Eles convivem com outras culturas e outras realidades. Isso traz uma experiência transformadora para a vida”, destacou o governador.
Até agora, o programa já contemplou 1.173 estudantes capixabas.
Intercâmbio também fortalece currículo profissional
Além da transformação pessoal, a experiência internacional também amplia oportunidades profissionais.
Segundo o vice-presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-ES), Cosme Peres, o intercâmbio chama atenção no mercado de trabalho.
Ele explica que, além da fluência em outro idioma, os estudantes desenvolvem habilidades importantes, como adaptação, resiliência e relacionamento interpessoal.
Além disso, Cosme destaca que o Espírito Santo possui forte ligação com o comércio exterior, o que amplia oportunidades para quem domina inglês ou espanhol.
Como funciona o programa
O programa atende estudantes da Rede Pública Estadual matriculados nos Centros Estaduais de Idiomas (CEIs).
Podem participar alunos do Ensino Médio aprovados no nível iniciante dos cursos e com idade mínima de 15 anos.
Os selecionados recebem:
- Passagens aéreas;
- Hospedagem;
- Seguro-saúde;
- Documentação;
- Curso intensivo de idiomas por três meses;
- Ajuda de custo de 400 dólares antes da viagem e mais 400 dólares durante o intercâmbio.
Atualmente, o Espírito Santo possui 51 unidades dos Centros Estaduais de Idiomas distribuídas em 11 Superintendências Regionais de Educação.











