
Uma nova tecnologia baseada em inteligência artificial tem transformado o tratamento da infertilidade masculina e devolvido esperança a casais que tentam engravidar há anos. O sistema consegue localizar espermatozoides “ocultos” em homens diagnosticados com azoospermia, condição caracterizada pela ausência de espermatozoides no líquido ejaculado.
Foi graças a essa inovação que Penelope recebeu, em novembro de 2025, a notícia que esperava há mais de dois anos. Enquanto dirigia para casa, em Nova Jersey, nos Estados Unidos, ela recebeu a ligação do médico confirmando a gravidez.
Após diversos exames, Penelope e o marido, Samuel, descobriram que ele possui síndrome de Klinefelter, condição genética causada pela presença de um cromossomo X extra. Em muitos casos, o diagnóstico só acontece na vida adulta. Além disso, a síndrome costuma reduzir drasticamente a produção de espermatozoides.
Tecnologia usa IA para localizar espermatozoides raros
A gravidez só foi possível graças ao sistema Star, sigla em inglês para “Rastreamento e Recuperação de Espermatozoides”. A tecnologia foi desenvolvida pela Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, e utiliza inteligência artificial para encontrar espermatozoides extremamente raros em amostras analisadas.
Segundo especialistas, cerca de 10% dos homens inférteis possuem azoospermia. Isso significa que milhões de pessoas no mundo apresentam quantidades tão baixas de espermatozoides que exames tradicionais não conseguem identificá-los.
O diretor do Centro de Fertilidade da Universidade de Columbia, Zev Williams, afirmou que o método revolucionou a busca por células reprodutivas consideradas invisíveis.
“A imagem do céu usada para encontrar estrelas era muito semelhante ao que vemos em homens informados de que não possuem espermatozoides”, explicou o pesquisador.
Sistema encontra espermatozoides em tempo real
O método utiliza chips microfluídicos e um sistema de imagem de alta resolução. Enquanto a amostra passa por canais microscópicos, a inteligência artificial analisa centenas de imagens por segundo em busca de espermatozoides.
De acordo com Williams, o sistema consegue detectar até um único espermatozoide em toda a amostra. Além disso, um mecanismo robótico realiza a separação da célula em milissegundos para evitar danos ao material.
Desde o nascimento do primeiro bebê gerado com a tecnologia, no fim de 2025, o centro de fertilidade passou a receber pacientes de diferentes países. Atualmente, a fila de espera reúne centenas de pessoas.
Casal conseguiu gerar embrião após procedimento
No caso de Samuel, médicos precisaram realizar uma cirurgia de extração testicular, já que pacientes com síndrome de Klinefelter geralmente não apresentam espermatozoides no sêmen.
Após nove meses de terapia hormonal, especialistas coletaram material diretamente do testículo e enviaram a amostra para análise pelo sistema Star. A inteligência artificial conseguiu localizar oito espermatozoides viáveis.
Em seguida, os médicos utilizaram as células para fertilizar os óvulos de Penelope. Apenas um embrião chegou ao estágio completo de desenvolvimento, mas o procedimento foi suficiente para gerar a gravidez.
Agora, o casal aguarda o nascimento do bebê, previsto para julho.
Especialistas defendem mais pesquisas
Além da busca por espermatozoides ocultos, a inteligência artificial também já auxilia tratamentos de fertilização in vitro, seleção de embriões e definição de doses hormonais mais personalizadas.
No entanto, especialistas alertam que ainda são necessários estudos em larga escala para avaliar os impactos a longo prazo dessas tecnologias. Além disso, pesquisadores discutem questões ligadas à privacidade de dados médicos e ao uso responsável da IA na saúde.
Apesar dos desafios, a nova técnica já representa esperança para milhares de homens que antes acreditavam não ter chances de gerar filhos biológicos.










