O Brasil atravessa uma das fases mais agudas de desconfiança institucional desde a redemocratização. O novo levantamento nacional confirma aquilo que o cidadão comum percebe nas ruas, nos serviços públicos e nas manchetes do dia. As instituições que deveriam proteger a República perderam a capacidade de inspirar respeito. Em contraste, aquelas que permanecem próximas do povo ocupam o espaço deixado pelo Estado. É sintomático, é grave e exige reflexão imediata.
As Forças Armadas seguem no topo da confiança pública, mas não por mérito recente e sim por resquício de uma imagem construída ao longo de décadas. A queda contínua demonstra que a paciência da sociedade tem limite e que interferências políticas custam caro. A população quer profissionalismo, sobriedade e distância de tumultos partidários. Enquanto isso, as instituições religiosas e a imprensa profissional ganham terreno porque mantêm presença territorial e compromisso direto com o cotidiano, ocupando justamente o vácuo deixado pelo poder público.
O Ministério Público e a Polícia Federal preservam uma imagem de seriedade que resiste ao desgaste dos anos turbulentos. A sociedade ainda reconhece nesses órgãos a capacidade de atuar com independência, sobretudo quando o Executivo e o Legislativo acumulam escândalos, lentidão e decisões que frustram o interesse coletivo. Essa confiança, porém, não é incondicional. Ela precisa ser reafirmada com resultados e transparência.
O Congresso Nacional continua sendo o símbolo do descrédito. Ele opera distante da realidade brasileira e age como se a função essencial fosse autoproteção. Não é apenas rejeição eleitoral, é erosão moral. No Supremo Tribunal Federal, a crise é de legitimidade. As decisões que ultrapassam limites e a sensação de seletividade jurídica empurram a Corte para o fosso da desconfiança. Uma democracia não sobrevive quando quem deveria garantir o equilíbrio se torna protagonista de tensões.
O retrato atual mostra um país que acredita menos porque recebe menos. Confiança não se pede, se conquista. E a verdade incômoda é que boa parte das instituições brasileiras não tem entregado o que prometem. Enquanto o cidadão enfrenta filas na saúde, insegurança nas ruas e instabilidade econômica, o sistema político e jurídico se afasta do senso de justiça, eficiência e responsabilidade.
A FOLHA DO ES tem insistido na necessidade de um novo pacto institucional baseado em transparência, autocontenção e compromisso real com o interesse público. Se as instituições não compreenderem a urgência dessa restauração, o Brasil continuará refém de um ciclo de descrédito que corrói a democracia e amplia a distância entre a sociedade e aqueles que deveriam defendê-la.
