Caso Epstein pressiona premiê do Reino Unido, mas Starmer descarta renúncia

Indicação de ex-embaixador ligado a Jeffrey Epstein provoca crise interna, renúncias em série e divide o Partido Trabalhista

- Keir Starmer — Foto: REUTERS/Jaimi Joy

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou nesta terça-feira (10) que seguirá no cargo, apesar do aumento da pressão política provocada por novas revelações ligadas ao caso Jeffrey Epstein.

A crise se intensificou depois que documentos apontaram que o ex-embaixador britânico Peter Mandelson, indicado diretamente por Starmer, recebeu recursos financeiros de Epstein, condenado por comandar uma rede internacional de tráfico sexual e abuso de menores.

Diante das críticas, Starmer adotou um tom firme. “Jamais abandonarei o mandato que me foi confiado para mudar este país”, declarou. Em seguida, reforçou que renunciar significaria, segundo ele, abandonar o povo britânico e a responsabilidade assumida com a nação.

No entanto, as revelações atingem um governo já fragilizado. Atualmente, a popularidade do premiê gira em torno de 18%. Além disso, o escândalo ampliou a desconfiança sobre sua capacidade de liderança. Dentro do Partido Trabalhista, o clima é de divisão: enquanto uma ala defende a renúncia imediata, outra mantém apoio irrestrito ao primeiro-ministro.

Crise interna se aprofunda

Além da pressão externa, Starmer enfrenta um desgaste interno crescente. No domingo (8), o chefe de gabinete Morgan McSweeney deixou o cargo após vir a público que foi ele quem sugeriu o nome de Mandelson ao premiê. Já na segunda-feira (9), o diretor de Comunicação, Tim Allan, também apresentou sua renúncia.

Na sequência, o próprio Mandelson, apontado como pivô do escândalo no Reino Unido, deixou o cargo que ocupava no Parlamento britânico, ampliando ainda mais o impacto político do caso.

Diante desse cenário, analistas avaliam que a sucessão de demissões pode representar o início de uma ruptura mais profunda no governo trabalhista, sobretudo se o desgaste continuar nos próximos dias.

Família real também é atingida

Paralelamente, os desdobramentos do caso Epstein alcançaram a família real britânica. O ex-príncipe Andrew, irmão do rei Charles, aparece citado em documentos e imagens associados ao empresário. Ele já atuou como representante comercial do Reino Unido e agora é investigado por suspeita de repassar informações sigilosas sobre oportunidades de investimento a Epstein.

Além disso, Sarah Ferguson, ex-esposa de Andrew, também surge nos arquivos. Em mensagens trocadas com Epstein, ela relata detalhes íntimos da própria filha, a princesa Eugenie. As conversas ocorreram após a primeira condenação do empresário, em 2008.

Em reação ao escândalo, um porta-voz do príncipe William e da princesa Kate afirmou que o casal está “profundamente preocupado” e solidário às vítimas. Já o Palácio de Buckingham informou que está pronto para colaborar com as investigações envolvendo o ex-príncipe Andrew.