
Milhões de páginas de e-mails e documentos ligados ao falecido bilionário Jeffrey Epstein vieram a público na última semana e, com isso, ampliaram a dimensão de um dos maiores escândalos sexuais já associados às elites políticas, empresariais e a casas reais em todo o mundo. Os arquivos detalham, sobretudo, relações pessoais, interesses financeiros e fortes indícios de crimes cometidos em diversas propriedades do financista, incluindo sua ilha particular no Caribe.
Além disso, os documentos citam figuras de grande projeção internacional. Entre elas estão o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o empresário Elon Musk, o ex-príncipe britânico Andrew, além de outros bilionários, políticos influentes e integrantes de famílias reais.
Quem foi Jeffrey Epstein
Jeffrey Epstein nasceu em Nova York e iniciou sua trajetória profissional como professor de matemática na Dalton School, uma instituição de elite em Manhattan. Embora não possuísse diploma universitário, ele conseguiu espaço no mercado financeiro após ser contratado pelo banco Bear Stearns, em 1976. Em seguida, fundou a própria empresa de investimentos, a J. Epstein & Co, voltada à administração de grandes fortunas.
Com o avanço da carreira e o crescimento do patrimônio, Epstein passou a construir uma ampla rede de relacionamentos. Assim, aproximou-se de celebridades, líderes políticos e empresários influentes em diferentes países.
Qual era a fortuna do bilionário
Em 2019, pouco antes de sua morte, especialistas estimaram a fortuna de Epstein em cerca de US$ 560 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 3,1 bilhões, segundo a emissora americana CBS News. Ainda assim, a origem exata de parte desse patrimônio sempre levantou dúvidas e questionamentos.
Acusações e crimes atribuídos a Epstein
As autoridades acusaram Epstein de comandar uma extensa rede de exploração e tráfico sexual de meninas adolescentes, com apoio da então companheira Ghislaine Maxwell. De acordo com as investigações, ele aliciava vítimas sob falsas promessas e as levava para propriedades em Nova York, Flórida, Novo México e na ilha Little St. James, nas Ilhas Virgens Americanas.
As apurações começaram em 2005, após os pais de uma menina de 14 anos denunciarem abuso sexual em Palm Beach. Posteriormente, em 2008, Epstein foi condenado por exploração sexual e facilitação da prostituição de menores. No entanto, firmou um acordo judicial que resultou em uma pena de apenas 13 meses de prisão em regime brando.
A morte de Epstein
Em julho de 2019, um juiz considerou ilegal o acordo firmado anos antes e determinou a nova prisão de Epstein, desta vez em Nova York. Pouco mais de um mês depois, agentes o encontraram morto em sua cela. A autópsia concluiu que ele cometeu suicídio.
Apesar disso, surgiram teorias conspiratórias que sugerem assassinato para proteger figuras poderosas. Ainda assim, as autoridades americanas afirmam que não há qualquer prova que sustente essa hipótese.
Relação com Donald Trump
Os documentos recém-divulgados incluem uma denúncia anônima que acusa Donald Trump de abuso sexual contra uma adolescente, ocorrido décadas atrás em Nova Jersey. Contudo, o relato não apresenta provas e aparece classificado como “não crível” em partes do material investigativo.
Por outro lado, a amizade entre Trump e Epstein está bem documentada. Em 2002, Trump descreveu o financista como “divertido” e mencionou seu interesse por mulheres mais jovens. Atualmente, o presidente afirma que os arquivos divulgados o inocentam e defende o encerramento do caso. Seu nome aparece mais de 5.300 vezes nos documentos.
Bill e Hillary Clinton
Bill e Hillary Clinton também mantiveram proximidade com Epstein. Os arquivos trazem registros fotográficos e referências a encontros. Inicialmente, o casal resistiu a prestar esclarecimentos, mas depois aceitou depor no Congresso dos Estados Unidos. O depoimento está previsto para o fim de fevereiro.
Elon Musk e os e-mails revelados
Os documentos revelam trocas de mensagens entre Epstein e Elon Musk. Nelas, o empresário demonstra interesse em visitar a ilha do bilionário. No entanto, não há confirmação de que a visita tenha ocorrido. Ainda assim, os e-mails indicam uma relação mais próxima do que se conhecia até então.
Musk afirma que recusou convites de Epstein e nega qualquer envolvimento com atividades criminosas.
Interesse de Epstein no Brasil
Os arquivos também revelam um interesse explícito de Epstein pelo Brasil, especialmente por mulheres brasileiras. Em e-mails, ele menciona planos para comprar agências de modelos, revistas e até organizar concursos de beleza como forma de ter acesso a jovens.
Ao menos duas brasileiras foram identificadas como vítimas. Marina Lacerda, hoje com 37 anos, relatou que foi traficada e abusada em 2002. Segundo ela, cerca de 50 brasileiras teriam sido vítimas do esquema.
Brasileiros citados nos documentos
De acordo com os e-mails, Epstein tentou estabelecer negócios com o empresário Eike Batista. Um emissário do financista teria se reunido diversas vezes com o brasileiro. Eike, por sua vez, nega qualquer relação com Epstein ou conhecimento sobre os encontros.
Além disso, a ex-modelo Luma de Oliveira aparece mencionada em conversas sobre o interesse em mulheres brasileiras. Até o momento, nenhum brasileiro foi acusado formalmente de envolvimento nos crimes sexuais.
Famílias reais e o escândalo
Epstein mantinha uma ligação próxima com o ex-príncipe Andrew, do Reino Unido, que já enfrentou acusações de abuso sexual feitas por uma das vítimas. Os documentos trazem convites para encontros privados e imagens consideradas comprometedoras.
Outras casas reais também aparecem nos arquivos. Entre elas, membros da realeza norueguesa e contatos ligados à corte saudita, com mensagens de teor explícito e sugestivo.
O que dizem os arquivos sobre Bill Gates
Os documentos indicam que Bill Gates se encontrou com Epstein mesmo após a condenação do financista, em 2008. Um dos e-mails sugere, sem comprovação, um suposto problema de saúde envolvendo o bilionário.
Gates afirmou publicamente que se arrepende da relação. “Foi um erro. Lamento profundamente”, declarou.
