É difícil acreditar que, há pouco mais de uma década, “deslizar para a direita” era uma novidade. Desde então, muita coisa mudou e mudou rápido.
Segundo dados do Pew Research Center, cerca de 10% dos entrevistados heterossexuais conheceram seus parceiros de longo prazo por meio de sites ou aplicativos de namoro. Assim, esse percentual revela como as plataformas digitais passaram a ocupar um espaço central nas relações afetivas.
Ao mesmo tempo, a experiência dos usuários é ambígua. De um lado, muitos relatam experiências positivas. Por outro, a pesquisa indica frustração e desgaste emocional. Portanto, não há consenso sobre os reais benefícios dessas ferramentas.
Nesse contexto, a discussão vai além dos encontros. Afinal, o que a gamificação da busca pelo amor está fazendo com o nosso cérebro?
Do ponto de vista biológico, os seres humanos são programados para buscar vínculos. Além disso, estudos indicam que os mesmos circuitos cerebrais ativados pelo uso de drogas também entram em ação quando alguém se apaixona. Consequentemente, a dopamina, neurotransmissor ligado ao prazer e à recompensa, assume papel central nesse processo.
Diante disso, surge uma pergunta incômoda. Estariam, então, as empresas de aplicativos de namoro lucrando com o nosso vício em dopamina?
Na prática, a lógica dos matches, das notificações constantes e das recompensas rápidas cria um ciclo contínuo de expectativa e frustração. Com o tempo, esse mecanismo pode gerar ansiedade, comportamento compulsivo e desgaste emocional.
Por fim, compreender esses impactos torna-se essencial. Somente assim é possível usar a tecnologia com mais consciência e preservar a saúde mental em um ambiente cada vez mais digital.
