A decisão do deputado federal Amaro Neto de deixar o Republicanos para ingressar no PP não representa apenas uma troca de legenda. Na prática, o movimento altera o eixo de poder e impõe um desgaste direto ao grupo político do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini. Ao mesmo tempo, fortalece o campo de articulação do vice-governador Ricardo Ferraço (MDB), que amplia sua margem de influência no desenho eleitoral de 2026.
Amaro não é um quadro qualquer. Trata-se de uma das principais vitrines eleitorais do Republicanos no Espírito Santo. Portanto, sua saída atinge o partido no coração. E atinge, sobretudo, o projeto de consolidação estadual liderado por Pazolini.
Republicanos perde musculatura
Com a saída de Amaro, o Republicanos encolhe em densidade eleitoral. O partido perde protagonismo, perde capilaridade e perde capacidade de negociação. Além disso, enfraquece o discurso de unidade em torno de um projeto majoritário.
Enquanto isso, Erick Musso, presidente estadual da sigla, busca alternativas em São Paulo para garantir a viabilidade da candidatura ao governo. No entanto, a realidade local se impõe. O próprio Musso enfrenta risco real na disputa por uma vaga na Câmara Federal. Ou seja, o comando partidário luta para sobreviver politicamente ao mesmo tempo em que tenta sustentar um projeto estadual ambicioso.
Essa combinação gera instabilidade. E instabilidade, em política, costuma custar caro.
Ricardo Ferraço ganha espaço
Em sentido oposto, Ricardo Ferraço observa o tabuleiro se reorganizar a seu favor. A migração de Amaro para o PP aproxima o deputado de um campo político que pode convergir com o vice-governador. Não se trata de alinhamento formal imediato, mas de um gesto que sinaliza abertura estratégica.
Ferraço constrói pontes enquanto adversários administram crises internas. Além disso, o MDB mantém diálogo ativo com diferentes segmentos e amplia sua presença institucional. Assim, consolida-se como alternativa viável dentro de um cenário fragmentado.
Pazolini sob pressão
O prefeito de Vitória enfrenta, agora, um cenário mais adverso. Seu grupo perde uma liderança expressiva e vê reduzir a capacidade de articulação no plano estadual. Além disso, a movimentação ocorre em um momento sensível do calendário político, às vésperas das desincompatibilizações de ocupantes de cargos executivos.
Ao mesmo tempo, o campo aliado sofre ruídos adicionais. O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (PSDB), que orbitava como possível peça estratégica, passa a conviver com suspeitas que geram desgaste político. Ainda que não haja condenações, o ambiente de questionamentos fragiliza qualquer projeto coletivo.
Consequentemente, o grupo ligado ao ex-governador Paulo Hartung (PSD) também sente o impacto. A engrenagem que poderia operar de forma coordenada passa a demonstrar fissuras públicas.
Novo equilíbrio de forças
A política capixaba entra, portanto, em fase de reacomodação. Amaro se reposiciona. Ferraço amplia seu campo de diálogo. O Republicanos tenta evitar sangria maior. E Pazolini precisa reagir para não perder protagonismo antes mesmo da largada oficial da corrida estadual.
Em síntese, o movimento não é isolado. Ele revela tendência. Mostra que lideranças buscam espaços mais seguros e projetos com maior viabilidade eleitoral. E, sobretudo, indica que 2026 começou antes do previsto.
No atual cenário, Ricardo Ferraço ganha fôlego estratégico. Já Lorenzo Pazolini enfrenta o desafio de reconstruir pontes internas enquanto administra a perda de um dos seus principais ativos políticos.
A disputa está aberta. Mas o vento, neste momento, sopra em outra direção.
