
Articulação entre grupos como PCC, CV e TCP prioriza expansão territorial e aumento de lucros no mercado ilegal
Um levantamento aponta que alianças entre facções criminosas já alcançam ao menos 17 estados brasileiros, incluindo o Espírito Santo. A articulação envolve grupos como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e o Terceiro Comando Puro (TCP), além de organizações regionais.
Segundo dados obtidos a partir de investigações da Polícia Federal, polícias civis e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, essas alianças têm caráter estratégico. O objetivo principal é expandir territórios e fortalecer mercados ilícitos, com foco direto na maximização de lucros.
Expansão estratégica do crime organizado
Nos últimos anos, o crime organizado deixou de atuar de forma isolada e passou a operar em escala nacional e até internacional. Esse movimento se intensificou após o rompimento entre PCC e CV, ocorrido entre 2016 e 2017, após a morte de um importante intermediador do tráfico na fronteira com o Paraguai.
Desde então, as duas maiores facções do país adotaram estratégias diferentes. Enquanto o CV mantém atuação baseada no controle territorial armado e em atividades locais, o PCC investe em logística e no tráfico em larga escala, funcionando como uma espécie de rede multinacional.
Além disso, o TCP tem ampliado sua presença para além do Rio de Janeiro e já firmou alianças em pelo menos dez estados. Em alguns cenários, o grupo se aproxima do PCC para enfrentar o avanço do Comando Vermelho.
Alianças reduzem conflitos e aumentam lucros
Especialistas apontam que essas alianças também refletem uma mudança no comportamento das facções. Em vez de disputas violentas constantes, os grupos têm optado por cooperação estratégica.
A lógica é simples: menos confrontos significam menos custos e maior lucratividade. Com isso, há uma tendência de redução de conflitos diretos e até de homicídios em determinadas regiões.
Esse processo também tem levado à diminuição do número de facções, já que grupos menores passam a se unir em torno de organizações maiores.
Cenário no Espírito Santo
No Espírito Santo, o crime organizado se estrutura principalmente por meio da aliança entre o Primeiro Comando de Vitória (PCV) e o Comando Vermelho.
Nesse modelo, o CV fornece drogas e logística, enquanto o grupo local mantém autonomia sobre a atuação no estado. No entanto, divergências internas e disputas históricas abriram espaço para a entrada do PCC na região a partir de 2017.
A facção paulista passou a oferecer rotas mais baratas e estáveis, tentando atrair lideranças locais, inclusive dentro do sistema prisional. Já o TCP surge como alternativa intermediária para grupos que não desejam se submeter diretamente ao PCC.
Combate foca em inteligência e integração
Diante desse cenário, as forças de segurança têm adotado novas estratégias. No Espírito Santo, as investigações priorizam o combate às lideranças e aos esquemas de lavagem de dinheiro, em vez de focar apenas nos executores.
Além disso, há maior integração entre estados e órgãos de segurança. A troca de informações tem sido fundamental para enfrentar organizações que atuam em múltiplas regiões.
A criação de forças integradas, como grupos que reúnem Polícia Federal, Polícia Civil e Ministério Público, marca uma mudança no combate ao crime organizado. O modelo atual prioriza inteligência, coordenação nacional e ações estruturadas, substituindo práticas antigas baseadas apenas em patrulhamento e prisões em flagrante.
Rotas do tráfico e atuação internacional
O Brasil tem papel estratégico no tráfico internacional de drogas, funcionando como um importante corredor logístico. Entre as principais rotas estão:
- Rota Caipira: passa por Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Minas Gerais e São Paulo, com saída pelo Porto de Santos
- Rota do Alto Solimões: liga a Colômbia ao Amazonas, com distribuição para o restante do país
- Rota da Bolívia: atravessa municípios de Mato Grosso até chegar às principais vias nacionais
- Rota do Vale do Juruá: conecta o Peru ao Acre e segue pela BR-364
Enquanto o PCC atua como uma rede global de exportação de drogas e lavagem de dinheiro, o Comando Vermelho concentra esforços na América do Sul, principalmente no controle de rotas na região amazônica.











