No jogo real do poder, a disputa formal quase sempre serve apenas como rito. No caso do comando do Ministério Público do Espírito Santo, o cenário está praticamente definido. O atual procurador-geral, Francisco Berdeal, caminha para a recondução não por acaso, mas por articulação sólida e funcional com o sistema dos três Poderes.
A permanência no cargo decorre de um alinhamento institucional que oferece previsibilidade. Executivo, Legislativo e Judiciário convivem hoje com um Ministério Público que compreendeu os limites do embate e os ganhos da convivência estratégica. Esse equilíbrio interessa ao sistema como um todo.
No Palácio Anchieta, a leitura é pragmática. Entre as duas candidaturas possíveis, o governador tende a confiar na continuidade. Não por afinidade pessoal, mas por estabilidade institucional. A recondução representa baixo risco político, menor tensão institucional e manutenção de canais já consolidados.
Em tempos de incerteza nacional e rearranjos locais, o Espírito Santo sinaliza preferência pela previsibilidade. O atual procurador reúne esse ativo: conhece o tabuleiro, dialoga com os Poderes e entrega segurança ao sistema.
Assim, mais do que uma disputa, o processo se encaminha para uma formalização. A recondução não é apenas provável. É funcional. E, no ambiente político-institucional capixaba, funcionalidade quase sempre vence.
