Por que o Pix, queridinho dos brasileiros, incomoda tanto os EUA?

Sistema de pagamentos instantâneos virou um dos argumentos usados pelo governo de Donald Trump para justificar o aumento de tarifas sobre produtos brasileiros

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Foto: IA. -

O Pix, principal meio de pagamento dos brasileiros, entrou no centro da disputa comercial entre Brasil e Estados Unidos. O governo do presidente Donald Trump incluiu o sistema entre os argumentos para justificar a tarifa de 25% sobre produtos brasileiros exportados aos EUA. Segundo documentos do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), o modelo brasileiro favoreceria o Banco Central e criaria uma concorrência considerada desigual para empresas americanas do setor de pagamentos. No Brasil, porém, especialistas destacam que o Pix ganhou espaço por reduzir custos, eliminar intermediários e permitir que comerciantes recebam pagamentos em tempo real.

Pix mudou o mercado de pagamentos

O impacto do Pix é especialmente significativo entre os pequenos negócios. De acordo com pesquisa do Sebrae e do Ipespe, 59% dos empreendedores já utilizam o sistema como principal forma de receber pelas vendas. Além disso, 53% fazem pagamentos a fornecedores pelo Pix, enquanto 97% dos microempreendedores individuais (MEIs) adotam a ferramenta. Especialistas afirmam que o sistema não eliminou cartões ou outros meios de pagamento. No entanto, ele aumentou a concorrência ao reduzir taxas e acelerar as transações. Para os Estados Unidos, o fato de o Banco Central atuar como regulador e operador do sistema representa uma vantagem que empresas privadas não possuem.

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Disputa vai além das tarifas

Especialistas avaliam que a preocupação americana também envolve o avanço do Pix Internacional, projeto que permitirá integrar pagamentos instantâneos entre diferentes países. Enquanto isso, o governo dos EUA afirma que não pretende acabar com o sistema, mas questiona o tratamento dado à infraestrutura pública brasileira. Além do Pix, o relatório americano cita decisões envolvendo plataformas digitais, regras para empresas de tecnologia, propriedade intelectual, etanol, corrupção e desmatamento para justificar o tarifaço. Por fim, o governo brasileiro rejeita as acusações e afirma que responderá às medidas com base na Lei da Reciprocidade Econômica, aprovada neste ano.