
Longe de quaisquer embates ideológicos, pois na maioria das vezes, estes obscurecem a razão e impedem de contemplar as verdades óbvias ditas por alguém. A tática de desqualificar uma pessoa por simples característica ou peculiaridade encontra forte explanação em filósofos gregos como Aristóteles, que identificou os malefícios das falácias ad hominem dentro de um debate em busca do bem comum. Ciro Gomes, antes de ser um político, é um Professor gabaritado em Finanças Públicas e Direito Tributário, por esta razão, é capaz de ler o cenário econômico brasileiro e realizar suas explanações. No livro “Ciro Gomes, projeto nacional: um dever de esperança”, o autor identificou um aumento substancial do PIB brasileiro a partir da década de 30, “era de Getúlio Vargas”. Atribui esta vantagem econômica ao processo planejado de industrialização, que tirou o país do estado de “indigência industrial”, amargada por uma espécie de extensão do período escravocrata. Além disso, Ciro enfatizou a necessidade do processo de industrialização visar os interesses nacionais contra as tentativas de sabotagens internacionais. Não se trata de acreditar cegamente em teorias da conspiração, mas sim, de compreender a dinâmica de ideais que norteiam a simples disputa de mercados. O que se produz aqui e que se comercializa com o mundo, deixa de ser exportado por outro país. O processo de industrialização do Brasil, além de aumentar o PIB, levou o país a não ser como a Bolívia, nação meramente agrícola, e a Venezuela, simples extratora. A política modernizante de Getúlio Vargas, que veio após a Revolução de 30, tirou o país do status de mera “política do café com leite”, além de frustrar os interesses dos grandes oligarcas conservadores e alheios às mudanças. Vendo que os recursos privados dos grandes produtores agrícolas eram insuficientes para destacar o Brasil no cenário econômico mundial, Getúlio investiu em estatais geradoras de energia, como a Eletrobrás e a Petrobrás. Além disso, criou uma política de impostos e de atração de capital externopara sustentá-las e enquanto ocorriam as tensões decorrentes da Segunda Guerra Mundial, posicionou o país em um acelerado desenvolvimento industrial com a criação das seguintes estatais: Companhia Siderúrgica Nacional (1941), Companhia Vale do Rio Doce (1943) e Companhia Hidrelétrica do São Francisco (1945). Após a primeira deposição de Getúlio Vargas, ele voltou ao poder com o apoio dos Tenentes, que ao contrário dos oligarcas que apoiavam Washington Luís, compreenderam que o moderno processo de industrialização do Brasil era mais que necessário para a preservação dos interesses nacionais, além de garantir a soberania em relação ao famigerado mercado internacional. Infelizmente, Vargas pagou com a própria vida, após intensas pressões contrárias às suas políticas. Embora Ciro Gomes genealogicamente pertença à antiga família oligarca do Ceará, não é de modo algum critério para desabonar sua leitura criteriosa sobre o avanço que o Brasil obteve com as políticas industriais e impossibilidade de desenvolvimento se permanecesse na política do “café com leite”. Diante do exposto, analisando o Brasil de hoje, quantos mandatários estão dispostos a se despir de suas individualidades ideológicas ou familiares e desenvolver uma política nacional e ir até o fim pela sua manutenção, mesmo que isso custe a vida?











