Jovem encontra nome em lista de categorias sexuais após pesquisa na internet

'Eu não quero que ninguém mais passe por isso que minha filha tá passando, que essas meninas estão passando', disse mãe de uma aluna do 9º ano, em entrevista ao g1.

Arte Da Capa Da Mat Ria Do Site 1000 X 750 Px 2026 07 10t132239 962
- Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav) no Rio — Foto: Henrique Coelho

Uma adolescente de 14 anos descobriu que seu nome aparecia em uma lista de conteúdo sexual ao pesquisar o próprio nome completo na internet. O caso envolve alunas do Colégio Cruzeiro, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e é investigado pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav).

Segundo a mãe da estudante, a filha brincava com amigas de pesquisar os próprios nomes em um buscador quando encontrou a página. A mulher contou que a adolescente ficou surpresa e revoltada com a situação. Ao todo, a lista continha os nomes de 65 alunas do 9º ano, distribuídas em categorias de teor sexual e depreciativo.

Acompanhe as principais notícias do ES — receba grátis onde preferir!

Mães denunciam danos emocionais

A mãe classificou o episódio como uma grave forma de violência psicológica. Além disso, afirmou que a filha retomou o acompanhamento com um psicólogo após o ocorrido.

Apesar de considerar que a adolescente enfrenta a situação com equilíbrio, ela relatou que outras estudantes tiveram reações mais intensas. Segundo a mãe, algumas vítimas não querem voltar à escola e demonstram vergonha e sofrimento após a exposição.

Ela também destacou que a rápida disseminação do conteúdo nas redes sociais ampliou o impacto da violência. Por isso, defendeu a responsabilização dos autores da lista e dos responsáveis legais pelos adolescentes envolvidos.

Polícia ouve vítimas e investiga autores

A Dcav já ouviu sete estudantes vítimas do caso e também recebeu o depoimento do diretor da unidade escolar. Conforme a Polícia Civil, os adolescentes investigados poderão responder por atos infracionais análogos aos crimes de injúria, difamação e submissão de adolescente a vexame ou constrangimento. Além disso, a investigação poderá incluir outras infrações caso surjam novas provas.

A delegada Maria Luiza Machado afirmou que registros desse tipo cresceram nos últimos anos. Segundo ela, meninas e adolescentes estão entre as principais vítimas desse tipo de exposição na internet.

Para evitar novos traumas, a delegacia utiliza o procedimento de depoimento especial, no qual profissionais especializados ouvem as vítimas em ambiente adequado, reduzindo a necessidade de novos relatos ao longo da investigação.

Escola retirou o conteúdo do ar

Em nota, o Colégio Cruzeiro informou que registrou boletim de ocorrência logo após tomar conhecimento do caso. Além disso, a instituição comunicou a plataforma onde a lista foi publicada, que retirou o conteúdo do ar.

A escola afirmou ainda que presta apoio às alunas e às famílias envolvidas. Também informou que desenvolve ações permanentes sobre ética, cidadania digital e uso responsável das redes sociais. Por fim, destacou que a apuração sobre autoria e eventual punição compete às autoridades responsáveis pela investigação.