Golpistas usam documentos falsos para vender imóveis no ES

Especialistas e Polícia Civil orientam compradores a identificar fraudes

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Foto: Divulgação/Sesp - Polícia Civil prendeu cinco suspeitos de integrar um esquema de invasão

Criminosos têm ampliado o uso de documentos falsificados, procurações fraudulentas e assinaturas digitais para aplicar golpes na compra e venda de imóveis no Espírito Santo. Como resultado, muitas vítimas só descobrem a fraude quando tentam registrar a escritura ou assumir a posse do imóvel. Por isso, a Polícia Civil orienta compradores a reforçar os cuidados antes de fechar qualquer negócio.

Fraudes mais comuns

Segundo o delegado-adjunto da Delegacia Especializada de Defraudações e Falsificações (Defa), Jonathan Lana, os criminosos costumam vender imóveis sem autorização dos verdadeiros proprietários. Além disso, eles negociam o mesmo imóvel com diferentes compradores. Também criam anúncios falsos na internet e se apresentam como corretores ou intermediadores. Depois, recebem o sinal do negócio e desaparecem.

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Da mesma forma, os criminosos passaram a explorar assinaturas digitais. Conforme explicou o delegado, eles utilizam técnicas de engenharia social para obter as credenciais das vítimas. Em seguida, realizam transferências irregulares de imóveis ou até de empresas que possuem patrimônio imobiliário.

Especialistas fazem recomendações

O advogado especialista em Direito Imobiliário Diovano Rosetti afirma que a matrícula representa o principal documento da negociação. Nela, o comprador confirma quem é o verdadeiro proprietário e verifica se existem hipotecas, penhoras ou outras restrições.

Além disso, Rosetti recomenda pesquisar a situação financeira e processual do vendedor. Assim, o comprador reduz o risco de adquirir um imóvel envolvido em disputas judiciais ou comprometido por dívidas.

Já o advogado Sandro Americano Câmara alerta para sinais que exigem atenção. Entre eles, estão preços muito abaixo do mercado, pressão para concluir rapidamente a negociação, recusa em apresentar a matrícula atualizada e pedidos de pagamento antecipado. Por esse motivo, ele recomenda contratar um corretor registrado no Creci ou um advogado especializado para acompanhar toda a negociação.

Casos recentes chamam atenção

Um dos casos investigados pela Defa ocorreu na Serra. Segundo a Polícia Civil, uma contadora conseguiu acesso às credenciais digitais de uma empresária por meio de engenharia social. Com isso, ela transferiu irregularmente a titularidade de uma empresa cujo principal patrimônio era um imóvel. Ao final da investigação, a polícia indiciou os envolvidos.

Além desse caso, a Polícia Civil prendeu cinco integrantes de uma organização criminosa em Vila Velha. O grupo invadia terrenos em Pontal das Garças, falsificava documentos e revendia os lotes para compradores de boa-fé. Segundo as investigações, o esquema movimentou mais de R$ 30 milhões.

Outro episódio também ocorreu em Vila Velha. Um comprador perdeu cerca de R$ 550 mil após adquirir um apartamento negociado por um falso procurador. No entanto, quando tentou registrar a escritura, descobriu que a procuração era falsa e que o cartório informado nem sequer existia. Desde então, o golpista permanece foragido.

Como evitar prejuízos

Antes de fechar qualquer negócio, especialistas recomendam solicitar uma certidão de matrícula atualizada no Cartório de Registro de Imóveis. Dessa forma, o comprador confirma quem é o proprietário e verifica possíveis restrições.

Além disso, é importante conferir se o corretor possui registro ativo no Creci. Da mesma maneira, o comprador deve validar procurações diretamente no cartório, pesquisar a situação jurídica do vendedor e visitar o imóvel pessoalmente.

Por fim, as autoridades orientam que ninguém realize pagamentos sem contrato formal ou para contas de terceiros. Se houver excesso de urgência, preços muito abaixo do mercado ou negociações feitas apenas pela internet, o comprador deve redobrar a atenção. Afinal, esses fatores aparecem com frequência em golpes imobiliários.