
Uma mãe de Arapoti, nos Campos Gerais do Paraná, descobriu que a filha, de 10 anos, era vítima de um predador sexual virtual após notar um comportamento incomum durante a noite. Ao perceber que a menina utilizava o celular com a lanterna acesa na madrugada, ela decidiu verificar o aparelho. Durante a análise, encontrou conversas no chat do jogo Roblox nas quais um homem induzia a criança a enviar imagens íntimas. A denúncia levou a Polícia Civil do Paraná a identificar e prender o suspeito.
Suspeito se passava por criança
Segundo o delegado Thiago Pinheiro, responsável pela investigação, o homem tem 21 anos e mora em Teolândia, na Bahia. A Polícia Civil prendeu o investigado na última terça-feira (30).
De acordo com o delegado, o suspeito criava perfis falsos e dizia ter entre 13 e 15 anos. Dessa forma, conquistava a confiança das vítimas antes de iniciar o aliciamento.
“O suspeito agia como um predador virtual em série, aproveitando-se do anonimato e da ausência de barreiras geográficas da internet. Ele praticava o grooming, mentindo ter 13 ou 15 anos para ganhar a confiança de meninas em torno de 12 anos”, explicou Thiago Pinheiro.
Além do Roblox, o homem também utilizava o chat de outros jogos online, como o Free Fire, para abordar crianças.
Investigação começou após denúncia da mãe
A Polícia Civil iniciou as investigações em outubro de 2025, logo após a mãe registrar a ocorrência.
Segundo a investigação, o criminoso estabelecia um vínculo de confiança com as vítimas. Depois disso, exigia o envio de fotografias íntimas.
Além disso, conforme o delegado, o suspeito enviava imagens da própria genitália e determinava que as crianças apagassem todas as conversas para esconder os abusos dos pais.
Polícia identificou cinco vítimas
Até o momento, a Polícia Civil identificou cinco vítimas.
Entretanto, os investigadores acreditam que esse número pode aumentar. Por isso, a equipe analisa os equipamentos eletrônicos apreendidos durante a operação.
Durante o cumprimento do mandado de prisão, os policiais recolheram um aparelho celular, um console de videogame e dois pendrives.
Agora, a perícia examina todo o material para verificar se outras crianças também sofreram abusos.
Perfil falso também funcionava no Instagram
Além dos jogos online, o investigado utilizava uma conta falsa no Instagram.
Segundo o inquérito, ele publicava conteúdos de cunho sexual para atrair crianças e adolescentes.
A Polícia Civil reuniu prints dessas publicações e anexou o material ao processo. De acordo com a investigação, o objetivo era estimular menores de idade a compartilhar conteúdos incompatíveis com a idade deles.
Como o processo tramita em segredo de Justiça, as autoridades não divulgaram a identidade do suspeito.
Crimes investigados
O homem deverá responder pelos seguintes crimes:
- aliciamento de criança para prática de ato libidinoso;
- satisfação de lascívia mediante presença de criança;
- produção de cena de sexo explícito envolvendo vulnerável;
- armazenamento de conteúdo sexual infantil.
Além disso, a Polícia Civil continua investigando a atuação do suspeito para identificar possíveis novas vítimas.
Roblox mudou regras para proteger menores
Nos últimos meses, o Roblox anunciou mudanças nas regras de segurança após casos de aliciamento e conteúdos impróprios ganharem repercussão.
Em janeiro de 2026, a plataforma restringiu o uso do chat para crianças. Desde então, menores de idade só podem conversar com usuários de faixas etárias semelhantes.
Posteriormente, o Roblox criou duas novas modalidades de conta para usuários menores de 16 anos.
Agora, crianças entre 9 e 15 anos utilizam a versão Roblox Select, enquanto menores de 9 anos acessam a modalidade Roblox Kids.
Além disso, usuários maiores de 16 anos precisam comprovar a idade por meio de uma selfie para acessar jogos destinados ao público adulto.
Até a publicação da reportagem, a assessoria do Roblox não havia se manifestado sobre o caso. A reportagem também tentou contato com a empresa responsável pelo Free Fire, mas não recebeu resposta.











