Marjane Satrapi, autora de "Persépolis", morre "de tristeza" aos 56 anos

Marjane Satrapi também era conhecida pela ativismo político e pelas críticas ao regime iraniano

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- Marjane Satrapi (Foto: Reprodução Instagram / @fundacionprincesadeasturias)

A artista franco-iraniana Marjane Satrapi morreu aos 56 anos, em Paris, na França. A informação foi confirmada por uma pessoa próxima da diretora em comunicado enviado à agência AFP.

Segundo o relato, Satrapi teria “morrido de tristeza” pouco mais de um ano após a morte do marido, o produtor e roteirista Mattias Ripa, que faleceu em abril de 2025.

Autora marcou gerações com “Persépolis”

Marjane Satrapi nasceu em 22 de novembro de 1969, na cidade de Rasht, no Irã.

Ainda criança, ela viveu a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou a monarquia iraniana e iniciou o regime liderado pelo aiatolá Khomeini. Dessa forma, essas experiências acabaram inspirando a criação de “Persépolis”, obra lançada em 2000 e considerada um dos quadrinhos autobiográficos mais importantes do mundo.

Desenhado em preto e branco, o livro mostra as mudanças políticas e sociais vividas no Irã durante e após a revolução. Além disso, a obra aborda temas ligados à repressão política, ao extremismo religioso e à liberdade feminina.

Entre os assuntos retratados estão:

  • Uso obrigatório do véu;
  • Separação entre meninos e meninas nas escolas;
  • Repressão política;
  • Extremismo religioso;
  • Liberdade feminina.

Marjane Satrapi construiu carreira na França

Por causa do crescimento do extremismo no Irã, os pais da artista enviaram Satrapi para estudar em Viena, na Áustria.

Posteriormente, ela retornou ao Irã em 1989 para estudar comunicação visual na Universidade de Teerã. No entanto, em 1994, decidiu deixar o país definitivamente e passou a viver na França.

A partir disso, Satrapi consolidou grande parte da carreira artística na Europa e ganhou reconhecimento internacional.

“Persépolis” virou filme indicado ao Oscar

Em 2007, “Persépolis” ganhou adaptação para o cinema.

O longa foi dirigido pela própria Marjane Satrapi ao lado de Vincent Paronnaud. Além disso, a animação recebeu diversos prêmios internacionais e conquistou indicação ao Oscar de Melhor Animação.

Ao longo da carreira, Satrapi também ficou conhecida pelo ativismo político e pelas críticas ao regime iraniano. Por isso, a artista se tornou referência internacional na defesa da liberdade de expressão e dos direitos humanos.

A morte da autora provocou repercussão internacional entre admiradores, artistas e defensores dos direitos humanos.