
Servidores públicos, entre enfermeiros e técnicos em enfermagem, entraram na mira da Polícia Civil por suspeita de participação em um esquema ilegal de venda e aplicação de canetas emagrecedoras na Grande Vitória.
Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam postos de saúde para aplicar os medicamentos. Ao mesmo tempo, eles anunciavam e comercializavam os produtos pelas redes sociais. Além disso, o grupo também falsificava receituários médicos para facilitar as vendas.
A Polícia Civil revelou o esquema durante a Operação Efeito Colateral, deflagrada na manhã desta quinta-feira (28). Durante a ação, os agentes prenderam na Serra o homem apontado como o maior contrabandista de canetas emagrecedoras do Espírito Santo.
Aplicações aconteciam dentro de postos de saúde
De acordo com o delegado Rafael Correa, superintendente de Polícia Especializada, os servidores compravam os medicamentos ilegalmente com fornecedores e, depois, revendiam os produtos para os clientes.
Além disso, os investigados aproveitavam os próprios locais de trabalho para realizar as aplicações, o que passava sensação de legalidade aos pacientes.
“Essa organização criminosa tinha a participação de servidores que trabalham em postos de saúde. Eles usavam o local de trabalho para realizar a aplicação, dando a sensação de legalidade dentro dessa transição ilegal”, afirmou o delegado.
Durante as investigações, os policiais também encontraram medicamentos com indícios de desvio de farmácias públicas.
Na casa de um dos servidores, os agentes apreenderam dois carimbos de médicos que não são alvos da operação. Além disso, os policiais localizaram atestados médicos ainda em branco. Agora, a Polícia Civil tenta descobrir como esse material chegou até o suspeito.
Grupo tinha funções específicas no esquema
As investigações apontam que o grupo atuava de maneira organizada. Cada integrante exercia uma função diferente dentro do esquema criminoso.
Segundo a polícia, havia pessoas responsáveis por:
- anunciar os medicamentos ilegais;
- negociar as vendas;
- realizar entregas delivery;
- falsificar receitas médicas;
- aplicar os medicamentos nos pacientes.
Ainda conforme o delegado Rafael Correa, o perfil dos envolvidos chamou atenção dos investigadores.
“São pessoas de classe média, que têm seus empregos, alguns servidores públicos. Naturalmente essa investigação vai ser aprofundada e podemos ter novas etapas dessa operação”, destacou.
Até o momento, a Polícia Civil não divulgou em quais postos de saúde os suspeitos atuavam.
Polícia alerta para riscos das substâncias ilegais
O delegado Eduardo Passamani, titular da Delegacia Especializada do Consumidor (Decon), alertou para os perigos relacionados ao uso dessas substâncias.
Segundo ele, os medicamentos ainda geram discussões sobre segurança e eficácia em diversos países.
“São substâncias que estão em fase de testes. Elas têm resultados promissores, mas ainda não foram aprovadas no mundo todo. Não temos comprovação de eficácia e que são seguras para o consumo humano”, explicou.
Além disso, Passamani afirmou que os produtos ilegais não possuem controle adequado de origem, transporte, armazenamento e manuseio. Por isso, o consumo pode representar sérios riscos para a saúde.
Operação mobilizou 50 policiais
A Operação Efeito Colateral contou com cerca de 50 policiais civis e 15 viaturas. Além da prisão do principal alvo na Serra, os agentes também prenderam outro suspeito no bairro Araçás, em Vila Velha.
Durante as ações, os policiais apreenderam uma arma de fogo com um dos investigados.
Agora, a Polícia Civil continua as investigações e não descarta novas fases da operação.











