
O Atlas da Violência, divulgado nesta terça-feira (26) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, apontou que o Espírito Santo registrou a maior taxa de homicídios da região Sudeste em 2024.
Segundo o levantamento, o Estado contabilizou 1.064 assassinatos ao longo do ano, com média de 26 homicídios por 100 mil habitantes.
Apesar disso, os dados também mostram redução gradual das mortes violentas nos últimos anos.
Estado apresentou queda nos últimos anos
Em 2020, o Espírito Santo registrou taxa de 30,8 homicídios por 100 mil habitantes. Depois disso, o índice chegou a 31,1 em 2021.
Já em 2022 e 2023, os números caíram para 28,4 e 28,5, respectivamente.
Além disso, mesmo com a redução, o Espírito Santo segue acima da média nacional registrada em 2024, que ficou em 20 homicídios por 100 mil habitantes.
ES supera outros estados do Sudeste
Os números do Atlas da Violência mostram que o Espírito Santo superou os demais estados da região Sudeste.
Enquanto o Rio de Janeiro apresentou média de 20,1 homicídios por 100 mil habitantes, Minas Gerais registrou 12,8.
Além disso, São Paulo apareceu com a menor taxa do país, com 6,6 homicídios por 100 mil habitantes.
Com os números de 2024, o Espírito Santo ocupa a 16ª posição no ranking nacional de homicídios.
Secretário aponta avanço das facções criminosas
Segundo o secretário de Segurança Pública do Espírito Santo, Leonardo Damasceno, o avanço e a sofisticação do crime organizado representam um dos principais desafios enfrentados pelo Estado.
Além disso, ele afirmou que as facções criminosas tentam ampliar domínio territorial em diversas regiões do país.
“A criminalidade muda. O crime organizado sempre existiu, mas hoje temos facções ultraviolentas e territorialistas que tentam dominar áreas em âmbito nacional e também aqui no Espírito Santo”, afirmou.
Mortes de mulheres seguem acima da média nacional
O Atlas da Violência também revelou que o Espírito Santo registrou taxa de mortes de mulheres acima da média nacional.
Em 2024, o Estado contabilizou 110 mulheres assassinadas, com média de 5,3 mortes por 100 mil habitantes.
Enquanto isso, a média brasileira ficou em 3,4.
Apesar da taxa elevada, o levantamento mostrou queda de 21,4% em comparação com 2014.
Entretanto, houve aumento de 11,1% em relação a 2023, quando 99 mulheres morreram no Estado.
Estado ampliou medidas de proteção
Segundo Leonardo Damasceno, o Espírito Santo ampliou ações de combate à violência contra a mulher nos últimos anos.
Entre as medidas implantadas estão o uso de tornozeleiras eletrônicas para agressores e o fortalecimento das medidas protetivas.
“Muitas medidas temos implantado, como a tornozeleira para agressores e o fortalecimento das medidas protetivas. Mas contamos sempre com apoio da população para denunciar”, afirmou.
Mortes de crianças cresceram 700% em dez anos
O levantamento também mostrou crescimento expressivo nas mortes de crianças no Espírito Santo.
Em 2014, o Estado registrou apenas uma morte de criança. Já em 2024, o número subiu para oito, maior índice da série histórica.
Além disso, o total representa aumento de 60% em relação a 2023, quando cinco crianças morreram.
Segundo o advogado criminalista Jordan Tomazelli Lemos, fatores como vulnerabilidade social e envolvimento familiar com o crime podem influenciar esse cenário.
“Em famílias com vulnerabilidade econômica ou ligação com o tráfico de drogas, pode haver aumento do risco de homicídios envolvendo crianças”, explicou.











