
A Agência Nacional do Petróleo (ANP) confirmou que o líquido escuro encontrado em um sítio no município de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, é realmente petróleo cru.
O agricultor Sidrônio Moreira encontrou a substância enquanto perfurava o solo da propriedade em busca de água para abastecer a família.
Família aguardou meses por análise oficial
A família comunicou o possível achado à ANP em julho de 2025. No entanto, técnicos da agência visitaram o local apenas em março de 2026, após a repercussão do caso.
Além disso, a confirmação oficial aconteceu nesta quarta-feira (20), quando a ANP concluiu os testes físico-químicos realizados na substância.
Segundo o órgão, os resultados confirmaram que o líquido encontrado no terreno é petróleo cru.
Descoberta surpreendeu técnicos
De acordo com a ANP, o caso chamou atenção porque o petróleo surgiu em uma profundidade considerada rasa, de aproximadamente 40 metros.
Além disso, os técnicos utilizaram amostras coletadas anteriormente pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha o caso desde o início das investigações.
Os pesquisadores do IFCE já haviam identificado características semelhantes às de petróleo encontrado na Bacia Potiguar, localizada entre Ceará e Rio Grande do Norte.
ANP vai avaliar possibilidade de exploração
Após confirmar a presença de petróleo, a ANP abriu um processo administrativo para analisar o contexto geológico da área.
Agora, especialistas estudarão o tamanho das reservas e a viabilidade econômica da exploração comercial.
No entanto, a agência destacou que ainda não existe prazo para conclusão da análise técnica.
Além disso, a confirmação do petróleo não garante que haverá exploração comercial no futuro.
Agricultor poderá receber percentual
Embora o petróleo pertença à União, a legislação brasileira prevê compensação financeira ao proprietário do terreno caso a exploração comercial aconteça futuramente.
Nesse caso, Sidrônio poderá receber percentual de até 1% sobre a produção.
Descoberta aconteceu durante busca por água
O agricultor encontrou o líquido escuro em novembro de 2024, enquanto tentava perfurar um poço artesiano para abastecer a casa da família.
Segundo relatos, a residência enfrentava dificuldades de acesso à água encanada.
Além disso, vídeos gravados pela família mostram o momento em que o líquido preto e viscoso começou a jorrar do solo.
Inicialmente, Sidrônio acreditou que havia encontrado água.
Área permanece isolada
A ANP orientou que ninguém tenha contato com o material encontrado no poço.
Além disso, o órgão recomendou manter a área isolada até a conclusão das análises ambientais e geológicas.
Enquanto isso, a família voltou a receber água por meio de uma antiga adutora da cidade após a repercussão do caso.
Exploração pode levar anos
Especialistas explicam que o processo de exploração de petróleo no Brasil costuma ser demorado.
Primeiramente, a ANP precisa concluir estudos técnicos sobre a qualidade e quantidade da reserva.
Depois disso, a agência pode dividir a região em blocos de exploração e realizar leilões para empresas interessadas.
Mesmo assim, algumas áreas acabam não atraindo investidores por causa do custo elevado de operação ou do baixo potencial econômico da jazida.










