
Amizade nasceu durante tratamento
Lara Gabriela Noé Diniz Vlaxio, de 17 anos, e Maria Eduarda Ramos, conhecida como Duda, de 19, morreram no mesmo dia após enfrentarem juntas o tratamento contra a leucemia em Rondônia.
As duas se conheceram no Hospital do Amor, em Porto Velho, durante sessões de quimioterapia, exames e internações. Com o passar do tempo, elas criaram uma amizade considerada inseparável pelas famílias.
Lara sofreu seis paradas cardíacas
Lara morreu na manhã de segunda-feira (11) após sofrer seis paradas cardíacas. A jovem estava internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) pediátrica desde o fim de abril.
Segundo a família, ela enfrentava a leucemia havia vários anos e, além disso, lutava contra uma nova recaída da doença.
Cerca de uma hora depois, médicos comunicaram à mãe de Maria Eduarda a morte cerebral da filha, que permanecia internada na UTI adulta desde o dia 5 de maio.
Jovens criaram laço como irmãs
Segundo Guilherme Vlaxio, pai de Lara, a filha havia perdido muitos amigos durante o tratamento e, por isso, decidiu evitar novos vínculos para não sofrer novamente.
No entanto, Duda conseguiu mudar esse cenário.
“Ela chegou a um ponto em que se bloqueou. Falou que não faria mais amizades para não sofrer outras perdas”, contou o pai.
Comunicativa e carinhosa, Duda conquistou Lara aos poucos. Depois disso, as famílias passaram a conviver fora do hospital em encontros, refeições e comemorações.
Último pedido emocionou médicos
Lara completou 17 anos em 16 de abril. No dia seguinte, médicos informaram que a leucemia havia retornado.
Mesmo abalada, a jovem demonstrou preocupação com a amiga.
“Doutora, não quero que a Duda me veja assim, porque ela vai fazer um exame importante”, pediu Lara após receber o resultado do mielograma.
Além disso, a equipe médica respeitou o pedido e organizou a saída da adolescente para evitar que Duda percebesse a situação naquele momento.
Amigas planejavam futuro juntas
Mesmo durante o tratamento, Lara e Duda sonhavam em estudar medicina, viajar e construir uma vida longe da rotina hospitalar.
Ao mesmo tempo, as duas planejavam ajudar outras pessoas após vencerem a doença.
“Elas se amavam como irmãs e se protegiam”, afirmou Berenice, mãe de Duda.
Famílias defendem doação de sangue e medula
Após as perdas, familiares decidiram transformar a dor em conscientização sobre doação de sangue, medula óssea e órgãos.
Segundo os parentes, pacientes em tratamento contra leucemia dependem constantemente de transfusões e doações compatíveis para aumentar as chances de recuperação.
“Transformar essa dor em ajuda ao próximo é o verdadeiro sentido de compartilharmos essa história”, afirmaram os familiares.
Leucemia exige tratamento intenso
A leucemia é um tipo de câncer que afeta as células do sangue e, geralmente, começa na medula óssea.
Em crianças, adolescentes e jovens, um dos tipos mais comuns é a leucemia linfoblástica aguda.
Entre os principais sintomas estão cansaço intenso, febre, palidez, dores nos ossos, sangramentos e infecções frequentes.
Além disso, o tratamento costuma envolver quimioterapia, transfusões, internações prolongadas e acompanhamento médico constante.










