
O setor atacadista e distribuidor do Espírito Santo passou a responder por 29,1% de todo o ICMS arrecadado no Estado. Além disso, o segmento gerou R$ 6,64 bilhões em impostos em 2025. O valor representa mais que o dobro do registrado em 2022, quando a arrecadação ficou em R$ 2,61 bilhões.
Ao mesmo tempo, o comércio interestadual movimentou R$ 908,5 bilhões em 2024. Dessa forma, o montante equivale a mais de quatro vezes o Produto Interno Bruto (PIB) capixaba, estimado em R$ 209,2 bilhões.
Os números foram apresentados durante o encontro “Atacado & Distribuição: Transformando o agora e projetando o futuro do Espírito Santo”, realizado no Palácio Anchieta, em Vitória.
Participação do comércio cresceu no PIB
A expansão do setor também aparece em outros indicadores econômicos. Entre 2002 e 2023, por exemplo, a participação do comércio no PIB estadual saltou de 7,5% para 17,2%.
Além disso, o setor atacadista transferiu R$ 1,66 bilhão aos municípios capixabas em 2025 por meio da repartição do ICMS.
Segundo o estudo apresentado durante o evento, uma eventual perda de 50% da arrecadação do segmento pode reduzir em 16% a capacidade de investimentos das prefeituras. Na prática, isso representa impacto de aproximadamente R$ 709 milhões.
Especialista aponta transformação econômica
O diretor econômico da Futura Inteligência, Orlando Caliman, afirmou que os números refletem uma transformação estrutural da economia capixaba.
Segundo ele, o Espírito Santo deixou de atuar apenas como corredor logístico e, ao mesmo tempo, passou a ocupar posição estratégica na circulação nacional de mercadorias.
“O Espírito Santo se transformou num hub logístico-comercial. Quando você compara os números, percebe que o Estado passou a ter um peso muito maior na circulação de mercadorias do país”, afirmou.
Setor teme impactos da reforma tributária
O encontro reuniu empresários, economistas e representantes do governo estadual para discutir competitividade, arrecadação e os efeitos da reforma tributária.
Durante a apresentação, Caliman destacou que 64% das vendas interestaduais têm como destino a região Sudeste, principalmente São Paulo.
Além disso, ele apontou que o crescimento acelerado do setor aconteceu após a renovação dos incentivos fiscais até 2032.
“O crescimento do ICMS nesse período foi muito acima do PIB”, destacou.
Sincades reforça importância econômica
O presidente do Sindicato do Comércio Atacadista e Distribuidor do Espírito Santo (Sincades), Idalberto Moro, afirmou que o setor reúne mais de 4 mil empresas distribuídas pelos 78 municípios capixabas.
Segundo ele, o segmento exerce papel fundamental na arrecadação estadual, no fortalecimento da infraestrutura logística e no abastecimento das cadeias produtivas.
“Hoje quase um terço de tudo que o Estado arrecada de ICMS passa pelo setor atacadista e distribuidor. Esses números têm impacto direto na vida das pessoas”, afirmou.
Além disso, Moro relacionou o crescimento recente à segurança jurídica proporcionada pela renovação dos incentivos fiscais.
De acordo com ele, cerca de 85% das operações atacadistas têm como destino outros estados, principalmente na região Sudeste. Com isso, o Espírito Santo ampliou a relevância como centro de distribuição nacional.
Governo prepara medidas para reduzir impactos
A principal preocupação apresentada durante o encontro envolve os efeitos da reforma tributária, que prevê transferência da arrecadação para o destino das mercadorias.
Por isso, estados com forte atividade distribuidora, como o Espírito Santo, podem perder arrecadação nos próximos anos.
Diante desse cenário, o governador Ricardo Ferraço afirmou que o Estado prepara medidas para preservar competitividade e atrair novos investimentos.
Entre as estratégias citadas estão expansão portuária, parques logísticos, conexões ferroviárias e novos projetos industriais.
“Nós precisamos construir alternativas para colocar no lugar dessa receita. O tempo não é inimigo, mas também não é aliado”, declarou.
Além disso, Ferraço defendeu o fortalecimento do polo automotivo, da indústria do aço, do processamento de café e papel e da verticalização do setor de rochas ornamentais.
Segundo ele, o objetivo é ampliar a geração de empregos e, consequentemente, fortalecer o consumo interno para reduzir os impactos da transição tributária na economia capixaba.










