Suspensão de produtos da Ypê pela Anvisa vira alvo de disputa política nas redes

Decisão sobre lotes da marca gerou debate entre apoiadores de Bolsonaro e críticas à atuação da agência sanitária

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uspensão de produtos da Ypê pela Anvisa gera disputa política nas redes - Crédito: Ypê/Divulgação

A suspensão de lotes de produtos da marca Ypê pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) rapidamente ganhou repercussão política nas redes sociais. O assunto, que começou como uma discussão sanitária, acabou entrando no cenário de polarização política do país.

A controvérsia começou na quinta-feira (7), quando a Anvisa determinou o recolhimento de detergentes lava-louças, sabões líquidos para roupas e desinfetantes fabricados na unidade da empresa em Amparo, no interior de São Paulo. A medida atingiu produtos com lotes terminados em número 1.

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Além disso, a agência também suspendeu temporariamente a fabricação, comercialização, distribuição e uso dos itens afetados. Segundo a Anvisa, técnicos identificaram falhas no processo de fabricação e risco de contaminação microbiológica.

Ypê mantém parte da produção parada

Posteriormente, a Anvisa suspendeu os efeitos da decisão após recurso apresentado pela empresa. No entanto, o órgão informou que mantém a avaliação técnica sobre o possível risco sanitário.

Mesmo assim, a agência continua orientando consumidores a não utilizarem produtos dos lotes afetados até a conclusão definitiva da análise.

A própria Ypê confirmou que decidiu manter parte da produção da fábrica de produtos líquidos paralisada enquanto realiza adequações exigidas pela vigilância sanitária.

Caso gera repercussão política

Poucas horas após a decisão, o tema ganhou força nas redes sociais e passou a mobilizar apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Internautas e políticos ligados ao bolsonarismo acusaram o governo federal de perseguição contra a empresa. Isso porque integrantes da família Beira, responsável pelo grupo controlador da Química Amparo — dona da marca Ypê — realizaram doações para a campanha de reeleição de Bolsonaro em 2022.

Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), membros da família doaram cerca de R$ 1 milhão à campanha do ex-presidente.

Além disso, a relação da empresa com apoiadores de Bolsonaro já havia gerado repercussão anteriormente. Em 2022, a Justiça do Trabalho condenou a Química Amparo por assédio eleitoral após uma live interna de apoio político com funcionários. Na época, a companhia afirmou ser apartidária.

Políticos e influenciadores defendem marca

Nas redes sociais, políticos, influenciadores e apoiadores passaram a publicar vídeos consumindo produtos da marca em demonstração de apoio à empresa.

O vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo, divulgou um vídeo utilizando detergente da Ypê e incentivando seguidores a comprarem os produtos.

Já o senador Cleitinho criticou a atuação da Anvisa em vídeo publicado nas redes. Enquanto isso, o deputado estadual Lucas Bove afirmou que a empresa estaria sofrendo perseguição política.

Por outro lado, o prefeito de Sorocaba, Rodrigo Manga, adotou um discurso mais moderado. Ele orientou consumidores a trocarem os produtos dos lotes afetados, mas criticou o que chamou de “massacre” contra a companhia.

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Post o Instagram do vice-prefeito de São Paulo, Ricardo Mello Araújo Crédito: Reprodução/Redes sociais