
O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) denunciou uma mulher por tentativa de homicídio após ela tentar oferecer comida com suposto veneno de rato ao próprio filho, de apenas 4 anos. O caso aconteceu em 2023 e tramita na Justiça estadual sob sigilo para preservar a identidade das vítimas, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Segundo a investigação, o menino não chegou a ingerir o alimento. Ele cuspiu a comida depois que a irmã gritou: “É veneno”. Mesmo assim, a mãe insistiu para que a criança engolisse o alimento.
Vídeos chegaram à polícia
Antes do episódio, a mulher gravou um vídeo enquanto misturava uma substância semelhante a “chumbinho” na comida. Nas imagens, ela afirma que “não iria sustentar filho sozinha”. Em outro vídeo, segundo a investigação, ela aparece alimentando a criança.
Posteriormente, familiares receberam os vídeos e encaminharam o material à Polícia Civil e ao Ministério Público.
Após analisar as imagens e reunir depoimentos, o MPES denunciou a mulher por tentativa de homicídio qualificado. O órgão apontou agravantes como envenenamento, motivo torpe e o fato de a vítima ser uma criança indefesa.
Crianças viviam em situação de abandono
Além da tentativa de envenenamento, o Ministério Público denunciou a mulher por abandono e maus-tratos contra os três filhos, que tinham 9, 6 e 4 anos na época.
De acordo com o processo, as crianças passavam longos períodos sozinhas, sem alimentação adequada e sem cuidados básicos de higiene. Moradores chegaram a ver os menores procurando comida no lixo da vizinhança.
Na escola, funcionários relataram que as crianças frequentemente chegavam com fome e usando roupas sujas. Além disso, testemunhas afirmaram que a mãe agredia os filhos com cintos e chinelos como forma de punição.
O processo também aponta um ambiente familiar marcado por violência doméstica, abuso de álcool e consumo de drogas. Segundo relatos, a mulher desenvolveu dependência de crack durante a última gravidez.
Mulher nega tentativa de homicídio
Durante depoimento à polícia, a acusada confirmou que gravou os vídeos. No entanto, ela alegou que as imagens serviriam apenas para pressionar o marido a voltar para casa.
Além disso, a mulher negou ter utilizado veneno de rato. Segundo ela, a substância misturada à comida era apenas doce de amendoim.
A acusada também afirmou que havia ingerido bebida alcoólica, estava sem dormir e sob efeito de cocaína no dia da gravação. Ainda segundo o depoimento, ela passou por internação em uma clínica após o episódio e iniciou tratamento contra dependência química.
Atualmente, as crianças vivem com familiares. O pai dos menores foi preso meses após o caso por outros fatos investigados pelas autoridades.
A defesa da mulher não foi localizada até o momento.










