Especialistas alertam para riscos do botox em crianças com bruxismo

Uso da toxina botulínica preocupa profissionais por possíveis impactos no crescimento e no desenvolvimento facial infantil

Arte Da Capa Da Mat Ria Do Site 1000 X 750 Px 2026 05 11t100303 407
- Imagem de drobotdean no Magnific

Por: Grasieli Ravera

Nos últimos anos, a busca por soluções rápidas avançou em diferentes áreas da saúde. No entanto, especialistas passaram a demonstrar preocupação com o uso da toxina botulínica, conhecida popularmente como botox, em crianças com bruxismo.

Acompanhe as principais notícias do ES — receba grátis onde preferir!

À primeira vista, a proposta pode parecer simples. Isso porque a aplicação da substância reduz a força muscular e, consequentemente, diminui o apertamento dentário. Entretanto, quando o assunto envolve crianças, profissionais alertam que essa prática pode interferir diretamente no crescimento craniofacial.

Músculo tem papel importante no desenvolvimento infantil

O músculo masseter, principal responsável pela mastigação, não atua apenas na força da mordida. Além disso, ele possui função essencial no desenvolvimento ósseo e na formação da mandíbula.

Segundo especialistas, a atividade muscular adequada estimula o crescimento facial e contribui para o equilíbrio da estrutura craniofacial. Por isso, o enfraquecimento provocado pela toxina botulínica pode gerar consequências importantes durante a infância.

Entre os possíveis riscos apontados por profissionais estão:

  • redução do estímulo funcional necessário ao crescimento ósseo;
  • alteração do desenvolvimento facial;
  • atrofia muscular;
  • assimetrias faciais;
  • comprometimento da mastigação.

Botox não é tratamento indicado para bruxismo

Especialistas também reforçam que a toxina botulínica não possui comprovação científica robusta para tratamento do bruxismo. Segundo estudos atuais, ainda não existem evidências consistentes que sustentem o uso da substância como terapia eficaz, inclusive em adultos.

No caso das crianças, a preocupação aumenta. Além da falta de comprovação científica, os riscos ligados ao crescimento e ao desenvolvimento facial tornam a prática ainda mais delicada.

Dessa forma, profissionais da área afirmam que o botox não deve ser considerado tratamento para bruxismo infantil.

Bruxismo infantil exige avaliação completa

Outro ponto destacado por especialistas é que o bruxismo infantil geralmente possui múltiplas causas. Em muitos casos, o comportamento pode estar ligado ao sono, ansiedade, respiração oral, hábitos diários, fases do desenvolvimento e até ao uso excessivo de telas.

Por isso, tratar apenas o sintoma não resolve o problema de forma completa. Em vez de buscar soluções rápidas, profissionais recomendam uma avaliação individualizada e cuidadosa.

O acompanhamento pode incluir orientação comportamental, investigação médica, análise do desenvolvimento craniofacial e, quando necessário, o uso de dispositivos protetores.

Além disso, especialistas destacam a importância de respeitar o tempo biológico da infância e evitar intervenções sem respaldo científico consistente.