Relatório aponta desaparecimento de 171 computadores da Saúde em Cachoeiro-ES

Documento interno da Secretaria Municipal de Saúde detalha inconsistências no controle patrimonial e cobra explicações sobre equipamentos adquiridos com verba federal.

Computador

Um relatório interno da Secretaria Municipal de Saúde (SEMUS) de Cachoeiro de Itapemirim revelou o desaparecimento de 171 computadores adquiridos com recursos de emenda parlamentar do senador Fabiano Contarato. O documento, datado de 20 de março de 2025, detalha falhas no controle patrimonial, inconsistências em registros oficiais e cobranças direcionadas à Coordenadoria de Tecnologia da Informação (CTI).

Segundo o relatório, a Prefeitura adquiriu 242 computadores Lenovo em fevereiro de 2024 por meio da adesão à Ata de Registro de Preço nº 00017/2023 da Prefeitura de Anchieta. A empresa Inovatech forneceu os equipamentos destinados à rede municipal de saúde. Desse total, 224 máquinas seriam utilizadas pela Subsecretaria de Atenção Primária (SAP), enquanto outras 18 atenderiam a Subsecretaria de Atenção em Vigilância e Saúde (SAVS). A compra foi feita na gestão do prefieto Victor Coelho (PSB).

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Relatório aponta desaparecimento de 171 computadores

De acordo com o levantamento realizado pela SEMUS, apenas 71 computadores foram localizados ou identificados como instalados nas unidades de saúde. Assim, 171 equipamentos permanecem sem localização definida.

Além disso, o documento informa que:

  • 58 computadores foram encontrados em unidades da SAP;
  • 13 máquinas aparecem instaladas em setores da SAVS;
  • 166 computadores da SAP estão desaparecidos;
  • 5 computadores da SAVS também não foram localizados.

Entre as unidades citadas no relatório estão:

  • UBS Adonai;
  • UBS Amaral;
  • UBS Córrego dos Monos;
  • UBS São Joaquim;
  • CEO;
  • SAVS;
  • Farmácia;
  • PPG.

Entrega dos equipamentos já apresentava inconsistências

O relatório descreve que a cerimônia oficial de entrega ocorreu no CECAPEB, espaço ligado à Secretaria de Educação. Conforme o documento, o local foi escolhido porque possuía auditório amplo e salas consideradas seguras para armazenar os computadores.

Além disso, o servidor Bruno Santos, da SAP, afirmou que participou do recebimento dos equipamentos e percebeu divergências na quantidade entregue inicialmente. Segundo ele, faltavam computadores na primeira conferência. Depois dos questionamentos, o restante das máquinas apareceu.

Por outro lado, o servidor Rumenigge Carrico, que atuava na Gerência de Suprimentos e Patrimônio, relatou que apenas os monitores receberam identificação patrimonial. As CPUs, no entanto, não foram patrimoniadas, situação classificada como incomum no documento.

CTI aparece como responsável pelo controle dos ativos

O relatório cita o Decreto Municipal nº 30.340/2021, que atribui à CTI a responsabilidade pelo gerenciamento, fiscalização e controle dos ativos de tecnologia da Prefeitura de Cachoeiro.

Além disso, o documento menciona o contrato firmado entre a SEMUS e a empresa Spassu, responsável pelo suporte de TI. O contrato determina que a empresa mantenha atualizado o inventário dos equipamentos tecnológicos do município.

Na conclusão, o relatório afirma que a CTI possui responsabilidade direta pelo controle e inventário dos computadores em conjunto com a empresa terceirizada.

Sala com equipamentos teria acesso restrito

Durante visita ao CECAPEB em março de 2025, os servidores Flávio Louzada e Karina conversaram com a gerente Elisângela Chamon. Segundo o relatório, ela afirmou ter recebido ordens superiores do secretário de Fazenda e do coordenador da CTI para não abrir as salas onde os computadores estariam armazenados sem autorização prévia.

Além disso, o documento afirma que funcionários da CTI utilizavam uma entrada lateral do prédio para movimentar equipamentos sem controle direto da administração local.

Formatação de computador gera novo questionamento

Outro trecho do relatório cita a servidora Gabriela Menegussi Moralis Bóssio. Conforme o documento, ela solicitou diretamente à CTI, fora do sistema oficial de chamados, a remoção e a formatação completa de um computador utilizado por ela.

Posteriormente, a SEMUS abriu um processo administrativo para tentar recuperar os dados e localizar a máquina. No entanto, mesmo após meses, o relatório afirma que não houve resposta sobre o paradeiro do equipamento.

Documento aponta falhas patrimoniais

As tabelas anexadas mostram divergências entre o patrimônio registrado e a situação encontrada nas unidades de saúde. Entre os problemas identificados estão:

  • computadores registrados como instalados, mas ausentes nas unidades;
  • máquinas em funcionamento que aparecem no estoque;
  • equipamentos sem patrimônio cadastrado;
  • computadores enviados para manutenção sem rastreamento posterior.

Além disso, o relatório destaca que a ausência de patrimônio nas CPUs dificultou o rastreamento completo dos equipamentos.

Relatório sugere aprofundamento das investigações

Por fim, o documento recomenda:

  • solicitar à Inovatech os números de série dos equipamentos;
  • exigir da empresa Spassu uma lista atualizada dos computadores monitorados;
  • questionar a CTI sobre o destino dos computadores antigos substituídos nas UBS;
  • investigar instalações feitas sem documentação formal.

Além disso, o relatório possui 23 páginas e reúne tabelas patrimoniais, processos administrativos e anexos relacionados ao caso.

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