
A Polícia Federal (PF) mantém cinco suspeitos foragidos após a Operação Narco Fluxo. O grupo inclui Thiago Barros Cabral, Jonatas Cleiton de Almeida Santos, Letícia Feller Pereira, Jiawei Lin e Xizhangpeng Hao.
Segundo a PF, os investigados movimentaram cerca de R$ 1,6 bilhão. Além disso, eles utilizaram um esquema sofisticado de lavagem de dinheiro. A corporação iniciou a operação no dia 15 de abril e, desde então, segue nas buscas.
Durante o cumprimento dos mandados, os agentes não localizaram Thiago Barros e Jonatas Cleiton. Já Letícia Feller e os dois chineses estavam fora do país. Até o momento, as autoridades não identificaram os destinos.
A operação resultou na prisão de artistas, como os MCs Ryan SP e Poze do Rodo. Além disso, os agentes prenderam influenciadores digitais, entre eles Raphael Sousa Oliveira, dono da página “Choquei”. Também houve detenções de empresários ligados ao esquema.
Esquema usava dinheiro em espécie e criptoativos
Os investigadores identificaram diferentes estratégias para ocultar os valores. Primeiro, o grupo movimentava dinheiro em espécie. Em seguida, realizava transferências bancárias. Além disso, utilizava criptoativos para dificultar o rastreamento.
Ao mesmo tempo, o esquema operava no Brasil e no exterior. Dessa forma, os envolvidos camuflavam recursos de origem ilícita. Entre as fontes estão apostas ilegais, rifas digitais e tráfico internacional de drogas.
Para sustentar o esquema, o grupo utilizava empresas da indústria fonográfica e do entretenimento.
Chineses atuavam no topo da estrutura
De acordo com a PF, Jiawei Lin e Xizhangpeng Hao ocupavam posições estratégicas na estrutura financeira.
A fintech Golden Cat, comandada por Hao, teve papel central. Entre junho e agosto de 2024, a empresa movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão.
Além disso, a Justiça Federal aponta que a fintech operava como uma grande processadora de pagamentos. Dessa forma, arrecadava recursos de apostas ilegais e distribuía valores para empresas ligadas ao grupo. Ao mesmo tempo, realizava remessas para o exterior.
Contas no exterior entram na rota do dinheiro
As investigações identificaram envios para contas internacionais. Entre os destinos, aparece a conta de Letícia Feller Pereira.
Além disso, ela recebeu repasses milionários da fintech asiática. Já Jiawei Lin também recebeu valores enviados para fora do Brasil.
Empresa de fachada operava transferências ilegais
A PF também mapeou o papel de Jonatas Cleiton. Ele atua como sócio da Broker Platinum Invest e Tecnologia Ltda.
Segundo os investigadores, a empresa funcionava como canal clandestino. Assim, transferia dinheiro de apostas ilegais para contas de laranjas e operadores financeiros.
Embora declarasse atividades financeiras sofisticadas, a empresa não possui autorização do Banco Central nem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Além disso, Jonatas informou residir no mesmo endereço comercial da empresa. Por isso, a PF aponta possível uso de endereço virtual ou atuação como laranja.
A Broker também compartilha endereço com outras fintechs investigadas, como YCFSHOP (OMS Tecnologia) e SHOPRMS. Dessa forma, os investigadores reforçam a hipótese de atuação conjunta.
MC Ryan SP aparece como líder do esquema
De acordo com a PF, Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, liderava a organização.
Ele utilizava empresas ligadas à música para misturar recursos legais e ilegais. Além disso, transferiu participações para familiares. Com isso, tentou ocultar a origem do dinheiro.
Posteriormente, o grupo usava os valores para comprar bens de alto valor. Entre eles estão imóveis, veículos e joias.
As investigações também indicam possível ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Justiça mantém prisão preventiva
A PF prendeu MC Ryan SP no dia 15 de abril. Inicialmente, a Justiça concedeu habeas corpus. No entanto, logo depois, a decisão mudou.
A Justiça Federal decretou a prisão preventiva nesta quinta-feira (23). Segundo a PF, a medida garante a ordem pública e assegura a aplicação da lei penal.











