
Alagoas registrou oito casos de feminicídio no primeiro trimestre de 2026, segundo dados da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Sinesp), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). O número representa aumento em relação ao mesmo período de 2025, quando foram contabilizados seis casos.
De acordo com o levantamento, metade dos crimes ocorreu em Maceió. Além disso, os demais registros foram distribuídos entre os municípios de Arapiraca, Igreja Nova, São Brás e São Miguel dos Campos, com um caso em cada localidade.
Especialista alerta para ciclo de violência
Para a integrante da Comissão da Mulher da Ordem dos Advogados do Brasil em Alagoas (OAB-AL), Edâmara Araújo, os dados refletem um problema estrutural. Segundo ela, o feminicídio costuma ser o desfecho de um histórico contínuo de agressões.
“O feminicídio é a ponta do iceberg. Antes dele, há uma sequência de violências que muitas mulheres enfrentam sem conseguir romper”, afirmou.
Ainda de acordo com a advogada, a busca por apoio é essencial para interromper esse ciclo. Ela destaca que canais como delegacias, familiares e instituições de apoio podem ajudar a evitar desfechos fatais. “A denúncia salva vidas”, reforçou.
Legislação prevê penas mais severas
Desde outubro de 2025, está em vigor uma nova legislação que aumentou as penas para o crime de feminicídio no Brasil. A norma estabelece punições que variam de 20 a 40 anos de prisão, ampliando o intervalo anterior, que era de 12 a 30 anos.
Além disso, a lei prevê aumento de pena em casos específicos. Entre eles, estão situações em que a vítima esteja grávida ou no período de até três meses após o parto. O agravamento também se aplica quando a vítima tem menos de 14 anos ou mais de 60 anos.
Outra circunstância que pode elevar a punição ocorre quando o crime é cometido na presença de familiares, como filhos ou pais da vítima.
O cenário reforça o alerta das autoridades para a necessidade de políticas públicas e ações preventivas voltadas ao combate à violência contra a mulher.











