
O ginecologista Marcelo Arantes Silva é suspeito de estuprar pacientes durante consultas e exames em Goiânia e Senador Canedo, segundo a Polícia Civil de Goiás. Até o momento, cinco mulheres, com idades entre 25 e 45 anos, denunciaram os abusos. Em um dos casos, a vítima relatou que o crime ocorreu na presença da filha adolescente. O médico responde por estupro de vulnerável.
investigação aponta padrão de comportamento
De acordo com a Polícia Civil, os crimes ocorreram entre 2017 e 2026. Durante coletiva nesta quinta-feira (16), a delegada Amanda Menuci explicou que o suspeito utilizava a posição de médico para conquistar a confiança das pacientes. Em seguida, ele avançava para condutas abusivas.
Além disso, as investigações mostram que o padrão de comportamento se repetia. Primeiro, o médico realizava toques inadequados durante os atendimentos. Depois, fazia perguntas invasivas sobre a vida íntima das pacientes. Com isso, criava um ambiente de vulnerabilidade dentro do consultório.
“Ele transforma o ambiente clínico em um espaço de vulnerabilidade e se aproveita da autoridade médica para cometer os abusos”, afirmou a delegada.
casos foram registrados ao longo dos anos
A cronologia dos registros reforça a repetição dos casos. Em 2017, uma paciente denunciou o médico em Senador Canedo. Já em 2020, outro caso ocorreu em Goiânia. Mais recentemente, entre 2025 e 2026, outras três vítimas relataram abusos na capital.
justiça nega prisão, mas impõe restrições
A Polícia Civil solicitou a prisão preventiva do investigado. No entanto, o Ministério Público de Goiás e a Justiça negaram o pedido. Mesmo assim, o Judiciário determinou medidas cautelares.
Entre as decisões, o médico não pode manter contato com as vítimas. Além disso, ele não pode deixar a comarca sem autorização. A Justiça também comunicou o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) para suspender o registro profissional.
conselho suspende registro do médico
Em nota, o Cremego confirmou a suspensão do registro por decisão judicial. O órgão destacou que apura todas as denúncias sob sigilo. Além disso, informou que solicitou esclarecimentos ao responsável técnico da unidade citada nos relatos.
Por fim, a defesa do médico não se manifestou até a última atualização do caso.

A investigação da Polícia Civil aponta que o ginecologista adotava condutas irregulares durante os atendimentos. Segundo os relatos, ele realizava exames sem o uso de luvas e fazia toques íntimos enquanto direcionava perguntas de cunho sexual às pacientes. Em alguns casos, questionava se elas estavam sentindo prazer durante a consulta. Além disso, uma das vítimas relatou a prática de sexo oral.
enquadramento como estupro de vulnerável
A Polícia Civil enquadrou o caso como estupro de vulnerável. De acordo com a delegada Amanda Menuci, a tipificação vai além da violação sexual mediante fraude, já que as vítimas estavam em situação de vulnerabilidade no momento dos fatos.
Segundo a delegada, o ambiente clínico e a posição adotada durante os exames contribuíam para essa condição. “Naquele local, elas ficavam em completo estado de vulnerabilidade, sem क्षमता de oferecer resistência, inclusive pela posição física em que se encontravam”, explicou.
Além disso, a investigadora destacou o impacto psicológico. As pacientes estavam sob a autoridade do médico e não possuíam conhecimento técnico para questionar os procedimentos. Com isso, muitas demoraram a denunciar.
“São vítimas traumatizadas e esses crimes são difíceis de serem expostos. Muitas vezes, elas temem nova vitimização ou não serem acreditadas”, afirmou.
posicionamento do cremego
Em nota, o Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que suspendeu o registro do médico por decisão judicial. A medida já consta no sistema oficial do órgão.
O conselho também ressaltou que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de profissionais são apuradas sob sigilo, conforme prevê o Código de Processo Ético-Profissional Médico. Além disso, o Cremego informou que solicitou esclarecimentos ao responsável técnico da instituição citada nas denúncias.











