Polícia investiga suspeito de fraude com IA em celulares em Cariacica

Investigação apura uso de inteligência artificial em golpes com celulares; polícia busca identificar vítimas e possíveis comparsas

Arte Da Capa Da Mat Ria Do Site 1000 X 750 Px 2026 04 15t164534 885
- Foto: Divulgação/ PJC-MT

Um morador de Cariacica foi alvo de mandados judiciais durante a Operação Mil Faces, deflagrada na manhã de terça-feira (14) pela Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT). A ação, por sua vez, busca desarticular um grupo criminoso suspeito de invadir celulares e aplicar fraudes com uso de inteligência artificial (IA).

Ao todo, as equipes cumpriram 13 ordens judiciais. Entre elas, estão dois mandados de prisão preventiva, cinco de busca e apreensão, três de sequestro de bens e valores e três de afastamento de sigilo telemático. Além disso, a Justiça de Cuiabá autorizou as medidas, que foram executadas em Poxoréu (MT) e na Grande Vitória.

No Espírito Santo, por exemplo, a Polícia Civil cumpriu mandado de prisão e realizou buscas contra um investigado que mora em Cariacica. No entanto, até o momento, as autoridades não informaram o desfecho da ação.

Grupo usava IA para aplicar golpes

Segundo a Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Informáticos (DRCI), o grupo utilizava inteligência artificial generativa para criar rostos falsos, conhecidos como deepfakes. Dessa forma, os suspeitos conseguiam burlar sistemas de reconhecimento facial de uma operadora de telefonia.

Em seguida, após validar identidades fraudulentas, os criminosos aplicavam a técnica conhecida como “SIM swap”. Com isso, realizavam a troca indevida do chip telefônico da vítima. Assim, passavam a controlar a linha e, consequentemente, acessavam serviços vinculados ao número, incluindo aplicativos financeiros.

A investigação começou após a própria empresa identificar falhas e movimentações atípicas em seus sistemas internos. A partir disso, os investigadores conseguiram avançar na apuração do esquema.

Golpe atingiu vítimas em todo o país

De acordo com a polícia, o esquema afetou centenas de consumidores em diferentes regiões do Brasil. Além disso, entre os prejuízos relatados estão transferências bancárias não autorizadas, compras indevidas e invasões de contas digitais.

Diante dos fatos, os investigados podem responder por associação criminosa, invasão qualificada de dispositivo informático, falsidade ideológica e furto mediante fraude eletrônica. Somadas, as penas podem chegar a até 19 anos de prisão.

Por fim, o delegado responsável pelo caso, Guilherme da Rocha, destacou o avanço das práticas criminosas com o uso de novas tecnologias.

“O uso de inteligência artificial para burlar sistemas de segurança demonstra a evolução da criminalidade e, ao mesmo tempo, exige investigações cada vez mais técnicas”, afirmou.

As investigações continuam para identificar todos os envolvidos no esquema.

Isso vai fechar em 7 segundos