
O fechamento dos supermercados aos domingos no Espírito Santo tem provocado mudanças significativas na rotina de trabalhadores do setor. A medida, em vigor desde 1º de março, alterou escalas, horários e a organização da vida pessoal de cerca de 70 mil profissionais em todo o estado.
A decisão faz parte da Convenção Coletiva de Trabalho firmada entre entidades do comércio e representantes da categoria. O acordo determina que os estabelecimentos do segmento permaneçam fechados aos domingos até o fim de outubro. A regra ainda passará por reavaliação em novembro.
Segundo o setor, a mudança atinge aproximadamente 1.500 lojas distribuídas nos 78 municípios capixabas. Além disso, o Espírito Santo se tornou o único estado do país com acordo coletivo que suspende o funcionamento dos supermercados nesse dia da semana.
Trabalhadores relatam impactos na rotina
Entre os profissionais, as opiniões se dividem. Por um lado, muitos comemoram a possibilidade de descanso no mesmo dia em que familiares e amigos também estão de folga. Isso facilita o convívio social e melhora a qualidade de vida.
Por outro lado, parte dos trabalhadores relata dificuldades para resolver tarefas do dia a dia. Como a maioria dos serviços funciona apenas em horário comercial, a ausência de folga durante a semana pode dificultar idas a bancos, cartórios, consultas médicas e outros compromissos pessoais.
Outro ponto citado é a questão do transporte público. Aos domingos, a oferta de ônibus costuma ser menor. Com o fechamento das lojas, trabalhadores deixam de enfrentar esse problema. No entanto, a rotina de trabalho permanece intensa ao longo da semana.
Empresas ajustam horários e escalas
Com a suspensão das atividades aos domingos, algumas redes ampliaram o horário de funcionamento em outros dias para compensar o fluxo de clientes. Em muitos casos, lojas passaram a abrir mais cedo ou fechar mais tarde, especialmente às sextas-feiras e aos sábados.
Além disso, parte do setor começou a adotar a escala 5×2, que garante dois dias de folga por semana sem alterar a carga horária total de 44 horas. A estratégia busca aumentar a satisfação dos funcionários e reduzir a rotatividade.
Consumidores também passam por adaptação
A mudança também exige reorganização por parte dos clientes. Muitos consumidores, acostumados a fazer compras no domingo, passaram a frequentar supermercados durante a semana ou em horários alternativos.
Apesar das adaptações, representantes do comércio destacam que o fechamento dominical também está ligado à dificuldade de contratar e manter funcionários. A escassez de mão de obra tem sido apontada como um dos principais desafios enfrentados pelo setor.
Faturamento menor reforça decisão
Dados da Secretaria da Fazenda indicam que o domingo apresenta o menor volume de vendas no segmento supermercadista. Enquanto o sábado concentra a maior média diária de faturamento, o domingo registra movimentação significativamente inferior.
Diante desse cenário, empresários avaliam que a reorganização das escalas pode contribuir para melhorar a produtividade e a qualidade de vida dos trabalhadores, sem comprometer o desempenho financeiro das empresas.
A norma segue diretrizes do Ministério do Trabalho e estabelece multas em caso de descumprimento. Pequenos mercados de bairro podem funcionar aos domingos apenas quando operados pelos próprios proprietários, sem empregados registrados.
O modelo será monitorado ao longo do ano e poderá sofrer ajustes conforme os resultados observados no setor.
