
Justiça envia policiais para julgamento pelo Tribunal do Júri
A Justiça decidiu levar a júri popular os três policiais militares acusados de jogar o adolescente Kaylan Ladário dos Santos, de 17 anos, da Segunda Ponte, em Cariacica. A juíza Eliana Ferrari Siviero, da 4ª Vara Criminal do município, assinou a sentença de pronúncia na noite de quarta-feira (18).
Com essa decisão, a magistrada reconheceu indícios suficientes de autoria e prova da materialidade do crime. Dessa forma, o processo segue para julgamento pelo Tribunal do Júri. Por enquanto, o Judiciário ainda não definiu a data da sessão.
Além disso, a juíza determinou a manutenção da prisão preventiva dos acusados, que continuam detidos no Quartel do Comando-Geral da Polícia Militar, em Vitória.
Militares respondem por homicídio qualificado
O cabo Franklin Castão Pereira e os soldados Luan Eduardo Pompermaier Silva e Leonardo Gonçalves Machado respondem por homicídio qualificado. Segundo a decisão, os policiais tinham o dever legal de preservar a segurança pública.
No entendimento da magistrada, ao agir de forma contrária à função institucional, os acusados demonstraram desrespeito aos princípios que orientam a atividade policial. Por isso, a Justiça considerou necessária a continuidade da prisão cautelar.
Defesas contestam acusação e estudam recursos
O advogado Carlos Bermudes, que atua na defesa do cabo Franklin, afirmou que já esperava a decisão. Ainda assim, ele informou que vai avaliar a possibilidade de recorrer.
Já o advogado Francis Azevedo de Barros, responsável pela defesa do soldado Luan, declarou que o cliente é inocente. Conforme a nota enviada, não existem provas concretas que o liguem ao crime. Além disso, a defesa sustenta que o policial atuou apenas como motorista e possui histórico profissional sem registros de irregularidades.
Segundo o advogado, a decisão de pronúncia não representa condenação. Portanto, o processo seguirá para a fase de recursos antes do julgamento definitivo. A expectativa da defesa é de absolvição.
A reportagem tentou contato com a defesa do soldado Leonardo Gonçalves Machado. No entanto, não obteve retorno até o fechamento desta matéria. O espaço segue aberto para manifestação.
Caso teve início em abordagem policial
O caso ocorreu em 18 de fevereiro de 2025, quando os policiais abordaram o adolescente no bairro Aparecida, em Cariacica. Na ocasião, o jovem tinha um mandado de apreensão em aberto.
Em seguida, os agentes o levaram para a Delegacia Especializada do Adolescente em Conflito com a Lei (Deacle), em Vitória. Entretanto, o documento já estava vencido. O episódio gerou forte repercussão e mobilizou investigações das autoridades.
