
Integrantes da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) articulam uma estratégia para pressionar os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli e Alexandre de Moraes. Nos bastidores, a movimentação ganhou tração e já envolve parlamentares da oposição e, ao mesmo tempo, setores da base do governo Lula.
Além de ampliar o alcance das investigações, o grupo busca usar instrumentos regimentais para expor possíveis conexões entre empresários investigados e integrantes do Judiciário.
Depoimento é visto como peça-chave
Nesse contexto, o depoimento do empresário Daniel Vorcaro, marcado para o dia 26 de fevereiro, tornou-se central para a ofensiva. A CPMI pretende usar a oitiva para questioná-lo diretamente sobre eventuais relações pessoais ou comerciais com ministros do STF, em especial Alexandre de Moraes e Dias Toffoli.
Assim, parlamentares avaliam que as respostas de Vorcaro podem abrir novas frentes de apuração e, consequentemente, elevar a pressão institucional sobre o Supremo.
Investigação mira contratos suspensos
Vorcaro foi convocado para esclarecer denúncias sobre um suposto esquema de venda irregular de crédito consignado para aposentados e pensionistas. Atualmente, a CPMI investiga cerca de 250 mil contratos que o INSS suspendeu por falta de comprovação de autoria.
Diante desse volume, deputados e senadores defendem que o caso ultrapassa falhas administrativas e pode revelar conexões mais amplas entre agentes privados e o poder público.
Relações com o STF entram no radar
A partir do depoimento, o colegiado pretende avançar em questionamentos sobre possíveis vínculos entre Vorcaro e integrantes do Supremo. Caso essas relações existam, os parlamentares querem saber se elas facilitaram a formalização de contratos junto a órgãos públicos.
Por isso, a estratégia passa a combinar investigação técnica com pressão política, em uma tentativa de ampliar o alcance da CPMI.
Reportagens impulsionam pressão
O tema ganhou repercussão após reportagens revelarem conexões consideradas sensíveis. No fim do ano passado, a jornalista Malu Gaspar, de O Globo, revelou a existência de um contrato de R$ 3,6 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes.
Já neste ano, vieram à tona informações sobre negócios envolvendo a família do ministro Dias Toffoli e o empresário Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Empresas ligadas aos irmãos de Toffoli teriam sido sócias de uma companhia controlada por Zettel, responsável pelo Resort Tayayá, no interior do Paraná.
Quebra de sigilo chegou a ser avaliada
Além disso, o site O Antagonista apurou que integrantes da CPMI avaliaram, nesta semana, a apresentação de um requerimento para quebra de sigilo bancário da esposa de Moraes. A medida buscaria aumentar a pressão sobre Vorcaro e forçá-lo a detalhar suas relações com o STF.
Por enquanto, a proposta não avançou. No entanto, parlamentares afirmam que a iniciativa segue no radar e poderá ser retomada, dependendo do grau de colaboração do empresário durante o depoimento à comissão.
