
O enfrentamento à violência doméstica ainda é um dos maiores desafios da segurança pública e da política social no Espírito Santo. Em Cariacica, a adoção de uma patrulha especializada voltada exclusivamente à proteção de mulheres vítimas de agressões tem alterado a forma como o poder público reage a esse tipo de ocorrência, deslocando o foco do atendimento pontual para uma atuação contínua e preventiva.
Dados recentes mostram que a Patrulha Especializada da Mulher já realizou 137 atendimentos no município. Desse total, 28 casos evoluíram para registros formais de ocorrência e 14 resultaram em conduções em flagrante, todas com base na Lei Maria da Penha. Os números indicam maior capacidade de resposta do Estado diante das denúncias, sobretudo em situações de risco iminente.
Mais do que agir no momento da ocorrência, o modelo adotado em Cariacica aposta no acompanhamento das vítimas após a denúncia, etapa considerada crítica no enfrentamento à violência doméstica. Atualmente, 27 mulheres seguem sendo monitoradas pela rede municipal de proteção, recebendo suporte psicológico, social e jurídico. A estratégia busca reduzir a reincidência das agressões e oferecer condições reais para que a vítima não volte a ficar desassistida.
Especialistas apontam que a ausência de acompanhamento contínuo é um dos principais fatores que contribuem para a repetição dos ciclos de violência. Em muitos casos, a denúncia não é suficiente para garantir proteção efetiva, especialmente quando a vítima permanece vulnerável do ponto de vista emocional, financeiro ou social.
O impacto das ações preventivas também começa a aparecer nos indicadores de segurança. Cariacica tem registrado períodos prolongados sem casos de feminicídio, um dado relevante em um cenário nacional marcado pelo aumento da violência contra a mulher. Embora o problema esteja longe de ser superado, a integração entre segurança pública e políticas sociais sinaliza um caminho mais eficaz de esperança para as vítimas.
A violência doméstica, historicamente subnotificada, exige respostas que vão além do discurso e da repressão isolada. Em Cariacica, a experiência da patrulha especializada reforça que políticas públicas integradas, quando bem executadas, podem salvar vidas, desde que acompanhadas de continuidade, fiscalização e transparência.
