Há mais de meio século em atividade, a tradicional zona conhecida como Tia Lúcia segue aberta e atendendo clientes em Cachoeiro de Itapemirim, no Sul do Espírito Santo. Ao longo desse período, o estabelecimento passou por mudanças no comportamento do público e no mercado, mas, ainda assim, manteve seu funcionamento.
Modelo analógico em tempos digitais
Enquanto isso, grande parte do setor migrou para plataformas digitais. No entanto, a Tia Lúcia optou por seguir um caminho diferente. O local mantém um modelo quase totalmente analógico e, por isso, na internet aparecem apenas números de telefone para contato.
Mesmo assim, a casa conserva uma clientela fiel. Em geral, o público é formado por homens acima dos 40 anos, acostumados ao funcionamento tradicional do espaço.
Público e perfil dos frequentadores
Além disso, o prostíbulo apresenta baixa rotatividade de acompanhantes. Algumas profissionais vêm de outros municípios e, em certos casos, de outros estados. Com isso, muitas permanecem por longos períodos.
Consequentemente, criam-se vínculos com clientes habituais. Ao mesmo tempo, o perfil do público reflete a proposta do local, que atende principalmente homens de menor poder aquisitivo. Atualmente, os valores praticados partem de R$ 50.
Presença no imaginário popular
Antes da popularização da internet, o espaço ganhou notoriedade regional. Com o passar dos anos, passou a integrar o imaginário popular de Cachoeiro. Assim, histórias e relatos atravessaram gerações.
Dessa forma, o local se consolidou como um dos mais longevos do gênero no Espírito Santo. Além disso, a curiosidade em torno da casa segue alimentando conversas e lendas urbanas.
Episódios que viraram folclore
Ao longo dos anos, diversos episódios ajudaram a reforçar esse folclore. Entre eles, um dos mais comentados ocorreu em 2023. Na ocasião, um cliente se recusou a pagar pelos serviços consumidos.
Como resultado, ele acabou expulso do local. Rapidamente, o episódio se espalhou pela cidade, ampliando ainda mais a curiosidade em torno do estabelecimento.
O caso da expulsão
No dia 10 de março, um vídeo mostrou um homen deixando nu a Boate Tia Lúcia, localizada na Avenida Governador Carlos Lindenberg, no bairro Novo Parque. Logo depois, as imagens viralizaram nas redes sociais.
Inicialmente, as razões do ocorrido eram desconhecidas. Posteriormente, a reportagem do Jornal Da Hora ES identificou um dos envolvidos: Marciano Philadelpho, conhecido como Alemão, de 44 anos.
Segundo ele, a confusão começou quando foi ao local com um amigo que garantiu ter dinheiro para pagar a conta. Durante a noite, os dois consumiram bebidas e interagiram com acompanhantes. Entretanto, descobriram a falta de recursos apenas quando já se dirigiam aos quartos.
Nesse momento, a dívida chegou a R$ 250. Ainda assim, tentativas de contato com familiares não resolveram o impasse. Diante disso, roupas e documentos foram retidos como forma de pressão.
Depois disso, Marciano deixou o local nu. Em seguida, improvisou uma cobertura com um pedaço de plástico encontrado na rua e conseguiu carona com um conhecido.
Zona raiz que atravessa décadas
Atualmente, Marciano vive em situação de rua e está desempregado. Mesmo assim, afirma aguardar o recebimento de benefícios sociais para quitar a dívida e recuperar seus documentos.
Por fim, mesmo diante do avanço tecnológico e da oferta virtual, a chamada zona raiz segue ativa. Assim, a Tia Lúcia permanece como um retrato vivo de uma Cachoeiro que atravessa décadas sem perder sua identidade.
